sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Quinta - feira, 31 de janeiro de 2008


Dia nublado, onde o sol se esconde por entre as nuvens com medo de quem sabe, aquecer demais a terra da Garoa.
Por entre folders e cigarros, eu fico com os meus pensamentos soltos..
Um música no rádio diz: "everybody's changing.." e eu acabo por concordar.Todos nós mudamos e nos modificamos com o tempo.
Com o céu nublado, eu me torno distante e alheia às coisas que não acontecem.
Tenho de fazer uma ligação, e meu estômago dá cambalhotas.À certa altura penso que, talvez seja meu coração.A música no rádio muda e é bem sugestiva: "Crazy lillte thing call love" do Queen.
Olho então o meu telefone portátil, disco o número, aperto o "Send" e no mesmo instante, desligo.
Medo!
Minhas mãos começam a suar frio, e tento me acalmar pensando no quão ridícula devo estar nesse momento, tentando o simples fato de fazer uma ligação.
A música termina..Me levanto para trocar de rádio:
Tchhhhh...tchhhhhh tchhhhhh "O trânsito em São Paulo".. tchhhh tchhhhh tcchhhhh "Um acidente na avenida"...até que acho uma música, enfim.
Sento na frente do celular de novo.
Pânico de novo!

Porque nessas horas o telefone parece tão ameaçador?
Ou seria, assustador?

Disco o número de novo, aperto o "Send", e o nome do fulano a que me proponho ligar aparece.
Novo medo, nova cambalhota estomacal, desligo.
Afasto o telefone de mim e ensaio mentalmente o discurso que eu tenho que falar..
penso que está tudo muito confuso, e nada espontâneo.

Minhas mãos tremem.Melhor não ligar agora, talvez minha voz também esteja trêmula. Respiro fundo, olho para o céu, e um rabisco de sol aparece. Me traquilizo.
Apalpo minhas coisas sob a mesa, tentando parecer normal.
Música ruim no rádio, me levanto e mudo novamente de estação.

Pra variar, música mela cueca.Entro no clima e pego o telefone, olho o número mas ainda não tenho coragem, fecho então o celular e finjo indiferença.
Reflito:

"- O que poderia haver de tão mal em receber um ' Não, não, hoje não estou disponível.' ?
E tento me convencer que não há nada demais nisso.
Olho pro telefone de novo.
Esse lance de paquerar é uma coisa ao mesmo tempo difícil e patética.Se eu pudesse descrever o que se passa na minha cabeça a cada tentativa de ligar, eu tenho certeza que vocês iam se compadecer com a minha loucura.
Propaganda no rádio, lá vou eu mudar de estação de novo.
Música encontrada, volto ao dilema: "Ligo ou não ligo?"

E aí minha imaginação voa..
"-E se eu atrapalhar alguma coisa importante?"
Ao que meu lado 'negro da força' responde:
"-Se você fosse atrapalhar, ele provavelmente não atenderia"

Novo pânico.Nova música no rádio.
Sessão anos 80, é o que me parece.
Músicas que eu gosto de ouvir e até mesmo cantar, mas que infelizmente são de épocas diferentes das que se vive hoje.Bons tempos esses que não vivi.
"I Can Dream About You..lálálálálá"

O celular me ameaça com sua luzinha acesa do carregador....
Olho as horas, são três da tarde.
Péssimo horário para uma ligação sem fundo profissional.
O sol de esconde por entre as nuvens de novo, e agora começa a chuviscar..
Verão é sempre um tempo confuso, não?

Ensaio uma nova fala.
Será que minha voz continua trêmula?
Pra testar, tento acompanhar a música no rádio, e além de não saber a letra (juro que essa que tocou agora, eu não tinha nem nascido ainda!!), quase engasgo com a minha própria língua.
Pego um pedaço de papel e desenho estrelinhas nele quase todo, tentando me distrair.
Confiro o relógio novamente, e me dou o prazo de criar coragem até as três e trinta.

Logo eu, uma menina tão direta, com medinho de um celular?
Logo eu?

O fulano é um tal de um "dotô", muito do ocupado e também muito do direto!!
Talvez por isso meu medo de ligar..
Pronto, assumi!

Medo, medo, medo!!
Loucura, infantilidade, insegurança..
Chamem do que quiser..
Depois de tanto cair do cavalo, o coração cansa de se enganar.
Ele fica pequenininho, do tamanho de um grão de areia, só de pensar em estragar tudo de novo.
Errar de novo, sofrer de novo..etc
Se entregar então!??!?!É uma coisa até mesmo impensada..

Por isso acabo o texto com os pedaços do meu rascunho cheio de estrelinhas, sem ainda ter ligado..
Ainda tenho 10 minutos..
UFA





Ouvindo_People talking_Office!

2 comentários:

Ana disse...

Neste momento, estou olhando para o celular com a mesma sensação... Só que eu bem que gostaria de evitar a ligação... Mas é a tal fase da adaptação.... Te adoro!
beijo

Anônimo disse...

O medo é inevitável, mas se há uma coisa que aprendemos nesta vida é de ter de encará-los. Cedo ou tarde, mas temos. De preferência, encare-o logo assim que surgir e evite possíveis paranóias do tipo "sim ou não" "devo ou não devo"

Quanto mais tempo demorar, cada vez mais isso vai confundir sua cabeça.

Na minha opinião, eu prefiro me dececpionar prontamente do que vivenciar a agonia da dúvida

E daí se formos rejeitados? Há sempre novas oportunidades, e mesmo que em muitas delas apareçam pedras que te derrubem no caminho, é preciso saber levantar e seguir em frente.

É dificíl, mas é o jeito