segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Nova série - #Cartas pra ninguém - N°1
É amigo, não tá fácil mesmo. Nesses nossos dias de hoje anda tudo tão desarrumado, que sabe como é, né?! A gente tem que se virar de algum jeito.
Sinto saudades dos nossos tempos de antes, mas pra falar a verdade eu sempre sinto falta do que foi e isso faz parecer que tudo era tão especial naquela época que sempre acho que estou mentindo.
A gente ria das bobagens que a gente falava, bebia meia duzia de latas de cerveja e agia fora como se fossemos donos do mundo. Havia aquele clima de descoberta, sempre por perto. As pessoas com quem a gente se relacionava eram "fodas", como a gente dizia.
Mas elas estavam talvez, tão assustadas como nós, eu acho..
Sabe, sinto falta daquele silêncio que pairava logo que a gente dizia uma verdade absoluta sobre a vida. Aquele silêncio me fazia ver sentido nas coisas. Ou então, quando algo mal acontecia e a gente cavava fundo nos motivos tentando silenciar a dor do outro. Como daquela vez que eu não te disse a verdade sobre meus atos e você fingiu que estava bravo, só pra me proteger do meu julgamento.
Os momentos distantes sempre nos fizeram bem. Era bom saber que você estava vivendo sua vida em algum lugar e que você teria várias coisas pra me contar. Aliás, é bom saber disso ainda.
Não tá fácil ser amigo hoje em dia...
Não há mais momentos silenciosos.
É tanto barulho e tanta azucrinação que parece que as pessoas se esqueceram de como era o silêncio. O silêncio que falava, como você costumava dizer.
Falta tato também...eu mesma me perco toda vez que tento me aprofundar em um relacionamento com alguém..você sabe como é, sempre sobra palavra na minha boca que acaba escorrendo pra onde não deve..
É, eu sei..isso ficou gay..mas e daí? Você vai rir disso de qualquer jeito..
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Tanto faz
Agora tanto faz.
Tanto faz se a mentira, ou se é verdade.
Tanto faz se é sonho, ou realidade..
na boa, tanto faz
Tanto faz se é loiro ou moreno
tanto faz se gosta do corinthians ou do flamengo
pra mim..tanto faz..
ando me multiplicando por aí
nos carnavais dos outros..
em tantos outros cantos
outros encontros
que eu prefiro fingir
que tanto faz..
deixa ir essa preguiça
minha criatividade
as vezes enguiça
e não pega no tranco
só pra me enrolar
tanto faz amigo,
tanto faz..
mas dos meus sonhos
por favor, me deixa em paz..
Ouvindo_Rockapella - Take On Me (A-Ha cover)
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Pequeno..
Empresto a música do toque de celular de alguém,
pra embalar a balada de emoções que rola dentro do meu coração..
A cabeça voa, e os sentidos todos se transformam..
Eu olho lá dentro do seu olho e algo me diz que há muito por dizer
pode ser só minha impressão sobre nada, um devaneio ou coisa que valha
pra despertar em nós aquela febril sensação que atrações nos atacam
enquanto pessoas se destacam apenas pelo som da voz..
e de repente tudo faz mais sentido do que antes..
e nada parece o mesmo de ontem..
Ouvindo_Furry Walls_Infant Sorrow
pra embalar a balada de emoções que rola dentro do meu coração..
A cabeça voa, e os sentidos todos se transformam..
Eu olho lá dentro do seu olho e algo me diz que há muito por dizer
pode ser só minha impressão sobre nada, um devaneio ou coisa que valha
pra despertar em nós aquela febril sensação que atrações nos atacam
enquanto pessoas se destacam apenas pelo som da voz..
e de repente tudo faz mais sentido do que antes..
e nada parece o mesmo de ontem..
Ouvindo_Furry Walls_Infant Sorrow
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
O medo
Anda por aí, as soltas, um vírus muito conhecido da nossa
humanidade. O medo.
Ele, de tanta experiência em viver nessa sociedade torta que sempre foi a nossa, gosta agora de se disfarçar de diversas coisas, pra não aparecer muito.
E não, eu não estou falando de comédias de terror.
Ele, de tanta experiência em viver nessa sociedade torta que sempre foi a nossa, gosta agora de se disfarçar de diversas coisas, pra não aparecer muito.
E não, eu não estou falando de comédias de terror.
Estou falando do medo das pessoas em admitirem, pra elas
mesmas suas verdades. Medo esse que contagia e contamina até o mais confiante
dos executivos da Faria Lima, e mina as esperanças de um mundo melhor.
No assunto relacionamento então ele vive cercado de
atenções, esse tal de medo.
Sempre com alguma desculpa de auto proteção, ou então fingindo que não está nem aí, ele se camufla de uma coisa, e pra piorar ainda acaba parecendo outra.
Sempre com alguma desculpa de auto proteção, ou então fingindo que não está nem aí, ele se camufla de uma coisa, e pra piorar ainda acaba parecendo outra.
Ledo engano, esse de acharmos que ninguém está notando que é
medo. E a função dele é sempre nos impulsionar e não nos travar. Me impressiona
o número de amigos com um medo gigante de serem felizes. Ou melhor, estão tão
acostumados com a derrota, que no menor sinal de que algo pode dar certo, fogem
de medo.
Esse mesmo, que anda por aí contaminando as pessoas.
Medo do emprego novo, medo do novo amor, medo de assumir pra si mesmo que está perdendo o chão, medo de admitir que está se sentindo triste, medo..medo..medo.
Medo do emprego novo, medo do novo amor, medo de assumir pra si mesmo que está perdendo o chão, medo de admitir que está se sentindo triste, medo..medo..medo.
Um pouco mais de coragem, por favor.
Vamos elevar nossos olhos para o que nos espera e abraçar nossa felicidade momentânea, sendo menos mesquinho, menos esquivo, menos blasé.
Anda tudo tão estranho que as pessoas agora
deram com a mania de quererem parecer sempre alegre, felizes, saltitantes. Uma
necessidade imensa de parecer que tá tudo bem, quando dentro tudo rui, e na infelizmente
na maioria das vezes, o assunto é sério. Vamos elevar nossos olhos para o que nos espera e abraçar nossa felicidade momentânea, sendo menos mesquinho, menos esquivo, menos blasé.
Um toma uma bota sem mais nem porque, e diz que não tá nem aí, outra fica se achando estranha em colocar as cartas na mesa com o cara que ela diz que ama pra ficar tudo bem, alguns ainda se orgulham do fato de não demonstrarem nunca quando estão numa bad.
Onde foram parar os sentimentos?? Que vaidade tão grande é essa que agora estamos assim, com esses sorrisos plásticos e enfiando a cara no travesseiro pra sufocar o choro??
Agora o negócio é ficar sempre numa boa? Pra não pegar mal??
Medo demais, como tudo na vida não ajuda. Só atrapalha.
E precisamos sim, dos outros para sermos felizes. E não há nada de errado sentir medo, só não vale se for medo de sentir amado.
domingo, 29 de janeiro de 2012
O Apanhador de Lenços (ou minha versão do amor)
Muitas pessoas buscam o amor. O amor impossível, o amor inatingível, o amor ideal, o amor surpreendente. Buscam alguém para chamar de seu ou para abraçar durante noites frias e assistir a filmes juntos romanticamente num sábado a noite.
Isso é o que as pessoas definem geralmente por ter um amor.
Mas o amor, tem dessas coisas de querer ser diferente.
E enquanto eu lia a minha revista no banheiro, notei que pela milésima vez tinha esquecido meus lenços umedecidos no outro banheiro de casa, e gritei carinhosamente para o meu marido: “Amor, me faz um favor? Pega meu lenço lá em baixo pra mim?”
Em menos de um minuto depois, estava ele lá a esticar seu braço me entregando o objeto.
E eu fiquei aqui pensando, que o amor tá nessas coisas pequenas e poucas, de quando a gente pede um favor pra pessoa que a gente ama, e ela simplesmente o faz.
Pode ser o lenço umedecido, um copo d’água, aquele livro que estava na estante longe do alcance das mãos, ou a almofada no outro sofá.
O amor está nessas coisas, diárias e cotidianas que a gente nem nota, e que não tem nada de romântico clichê como a clássica cena do casal, com pipoca e coberta na sala de TV, nem tão empolgante como o jantar pomposo no restaurante da moda. O amor está exatamente no momento em que nossos pedidos banais são atendidos por quem a gente ama.
Na tranqüilidade da sua sala de tv, no seu quarto ou até mesmo no sagrado momento do banheiro, não há nada como ter alguém pra atender quando a gente chama.
Antes de procurar esse amor louco e impossível que tentam nos vender por aí, agradeça se tiver alguém pra lhe trazer um par de meias, ou que trouxe aquele copo de água na monotonia da madrugada, só porque você pediu.
Ouvindo_Beale Street Blues_Eartha Kitt
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Hope
Sempre há esperança. Sempre há.
Um fé no futuro, uma coisa que se alcança, um sorriso de criança, alguém pra nos embalar.
Esperança, esperança, sempre há.
Há também uma tristeza, quase delicada, indefesa
que de vez em quando chega a se aproximar.
Vai quietinha, retilinia,
em algum ponto nos mostrar,
um tanto de lágrima e
outro tanto de dor,
algo tanto
que nossa alma possa aguentar.
Há ainda, mais fundo onde o mar que não se finda, algo ali, que insiste em me espreitar.
Um quê curioso e não sei se tão moço, ou se de tanto desgosto é que eu passo a acreditar.
Mas localizado entre a tristeza e a esperança,
no meio, uma fina lembrança,
está o amor,
a esperar.
Ouvindo_Waste Away_Spock's Beard
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Simples - cidade
Eu estava esperando por aquele momento, sabe?
Aquele momento mágico, como nos filmes, em que acontece algo grande e aí eu iria entender tudo.
Esperando que iria acontecer algo que mudaria minha vida para sempre, como um beijo inesperado, uma carta do nada, ou quem sabe uma cigana que me contaria todos os segredos e aí, enfim, eu saberia.
Esperei por algum tempo, procurei em alguns buracos e em outros tantos livros, me enchi de falsas esperanças e olhava apavorada na janela pra ver se alguma coisa acontecia e... nada.
Nada de novo, tudo como sempre, pensava eu desatinada.
Mas um dia, enquanto eu olhava pro passado, pensei: "Uau, quanta coisa mudou!!!"
E aí mudou quando? Como? Quanto?
Como aconteceram todas essas coisas e aonde estava eu que não percebi tudo mudar daquele jeito?
Bem, eu estava lá, talvez imaginando na janela ou tentando ler nas entrelinhas algo que nunca fora escrito.
E enquanto isso as coisas mudavam.
Não assim, como nos filmes nem como a minha leviana imaginação pintava.
As coisas iam mudando gradativamente, devagarinho, em gestos simples, em coisas pequenas e em palavras que eu já nem sabia que havia dito e escrito.
E enquanto tudo isso acontecia, eu esperava o futuro brilhante em algum lugar secreto.
Eu tentava espiar os dias seguintes, antevendo o grande momento da mudança, onde a música iria tocar mais alto e eu realmente ia ser feliz. E como um sopro silencioso ao meu redor, as coisas iam mudando.
Como um embrião de bebê, como semente, como tudo na natureza, as mudanças maravilhosas só acontecem devagar, pra que você vá se adaptando, vá se mudando e se moldando aquela nova verdade..
Milagres diários que acontecem sem que ninguém perceba, enquanto ninguém olha, sem platéia nem tv, nem a moça bonita da propaganda a ventilar os cabelos contra o vento.
Tudo acontece sem que ninguém perceba.
E de repente, eu estava lá, ausente e presente ao mesmo tempo, olhando o tempo passar enquanto tudo se transformava ao redor.
E então eu soube.
Soube que nunca iria saber tudo, e que isso pouco importava.
Soube que lá dentro de mim, uma menina ainda sonhava cintilante com seu grande momento esperado, mas que de fato ele acontecera tantas vezes e de maneiras tão diferentes que nem mesmo o melhor diretor de cinema poderia ilustrar.
Soube que quanto mais a gente vive, mas tem a sensação de que precisa viver e aprender e que a gente deixa o tempo passar, só pra poder contá-lo nos dedos.
Soube enfim, que minha pobre memória é que me falha as vezes, nessa de se esquecer do que vivi, quase sempre acho que não tenho muito o que contar.
E agora ao invés de ficar ali, esperando o futuro chegar, vou pra rua vivê-lo, e ter tantos outros momentos pra contá-lo.
Pois silenciosamente, tudo está mudando.
Basta ajustar o olhar.
Ouvindo_Strings_Young The Giant Young The Giant.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Desinteresabafo..
Eu vejo as pessoas falando, sentindo, tocando, reclamando e pedindo..
Vejo todo mundo as pressas em contar o que está acontecendo, como se fosse extremamente necessário manter todo mundo avisado sobre a urgência das coisas que lhes acontecem.
E é triste perceber que quanto mais falamos, menos nos importamos de fato.
Fulano viajou, ciclano está no trânsito e beltrano foi dormir tarde ontem..
Nada disso altera em nada a minha vida e a sua, mas estamos lá, querendo contar pra alguém o que diabos estamos fazendo com a insignificancia das nossas vidas, tentando sempre parecer o que não somos, escrevendo coisas que talvez nem sentimos, para que? Para quem?
E vai ficando pior a cada dia, as coisas importantes se misturando com as desimportantes, tudo no escândalo, na desinformação, na cultura da polêmica, tudo pra parecer diferente, inteligente, carente, deliquente..
E nessa de chamarmos tanta atenção pra nós mesmos, esquecemos do que somos na verdade.
Esquecemos que no lugar de letras e caracteres que fingem demonstrar nossas vontades, estão as pessoas.
E elas sim, estão em conflito diário com elas mesmas...
Percebo como o mundo mudou e como minhas relações tem se enfraquecido em alguns aspectos..
As novidades que antes demoravam pra chegar, agora estão lá a qualquer momento para quem quiser ver e ouvir, nada mais é autêntico ou surpreendente por muito tempo..
Replicamos inúmeras vezes frases e fotos legais que talvez digam de alguma forma o que pensamos, sabe se lá pra que..
E as amizades..bem..
Estão em algum lugar lá..antes ou depois de milhares de coisas desimportantes, fazendo seu papel.
Até porque meus amigos não precisam saber o que faço ou o que penso a todo instante.
Eles me conhecem num nível maior de intimidade, sabem que meu olhar as vezes diz mais do que mil palavras. Que basta um telefonema ou um oi meio torto pra significar mais coisas de que todos os textos que eu escrever..
Mas essas coisas tem se perdido por aí..
A internet encurtando distâncias e diminuindo amizades..
Até porque, assumo, não sou boa em administrar tantas pessoas na minha timeline a ponto de poder chamá-las de amigas..
Mas elas estão lá..e eu estou lá também, fazendo minha parte pra colaborar com isso que eu tanto detesto..
e estou lá porque eu também não sei a saída..mas existe em mim, essa vontade que grita, de que só um dia, ou uma semana a gente pudesse ficar sem internet, telefone e tv pra poder se lembrar de como a vida era sem isso tudo..
E de como as pessoas que se importam, estão as vezes na distância de um abraço..
Ouvindo_Boyce Avenue_Viva La Vida (Coldplay Cover)
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Um cão
Um cão me surge a porta em plena noite de primeiro de janeiro de 2012.
Um cão.. um belo e enorme cão caramelo, com seu pelo brilhante e seu rabo a abanar o vento.
O olhar dele de teimosia e de mistério, passava de curiosidade a travessura conforme corria do lado de fora do meu portão.
Ficamos ali o admirando e pensando onde diabos estava o dono daquele cachorro tão bonito e tão bem tratado. Será que fugiu do barulho dos fogos de artíficio? Será que foi largado naquele lugar?
Será que era agressivo? Será que dá pra ficar?
No meio daquelas elocubrações todas, olhavamos absortos aquele pitbull que contrastava com a calmaria daquela rua pacata da cidade que grita.
Ele nos olhando de volta, com uma cara de abandono, de solidão, de medo, de tristeza.
E de certo pensando também sobre nós humanos, trancados do lado de dentro de casa, sem dar-lhe a devida atenção.
Não resistimos e esticamos nossos dedos por entre as grades para tocar os seus pêlos.
No primeiro carinho, ele deitou-se de barriga pra cima, como num sinal de total submissão.
Abrimos nosso portão devagar e esperando ele se aproximar deixamos que ficasse com o corpo embaixo de nossas mãos afim de acariciar-lhe novamente.
Os minutos iam passando e nós ali, sem sabermos o que fazer com aquele enorme espécime.
Aos poucos as pessoas iam chegando, opinando, tocando, deixando-se imaginar na história daquele cão perdido..ou fugido.
Ajuntaram-se para ver e admirá-lo em toda sua força e ferocidade.
Era como se estivessemos na frente de um leão.
Deixavamos ele ir e vir e circular entre nossas pernas, sempre alertas para onde mirava sua boca cheia de dentes.
O meu medo se confundia com a admiração. Era como se nadasse com tubarões, como se a qualquer momento ele fosse dar um NHAC! e comer um pedaço de alguém.
Oferecemos água e ele sugou ferozmente o quanto pode.
Não quis comer, só queria brincar com aqueles humanos medrosos...
No fim da noite, todos voltaram para dentro de suas casas e da nossa janela, ficamos olhando aquele lindo cão nos acompanhar com os olhos.
Como se perguntasse porque se encontrava naquela situação. Ou como se dissessem: "Fiquem comigo, humanos.."
E deixando ele lá na porta, a nos olhar sorrateiros, me virei e fui dormir.
Fiquei pensando nas aventuras que ele poderia ter na rua, nos amigos que poderia fazer, nos gatos que poderia caçar.
O mundo lá fora de casa, aonde as grades não lhe impediriam de correr e pular, onde as pessoas estão dormindo e a noite guarda seus mistérios, lá...onde os cães são apenas cães de verdade.
Ouvindo_Somewhere Only We Know_Keane
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
As cerejas
Eu estava aqui fazendo minha lista de metas
Ou será que minha preguiça, meus julgamentos, meus dias de foda-se irão se render quando eu precisar me esforçar?
Resiliência, persistência, força de vontade são palavras bonitas do nosso vocabulário, mas será que estão mesmo presentes no meu dia-a-dia?
Ou será que eu só estou querendo me encher de cobranças tolas que só vão aumentar ainda mais minha culpa e auto flagelação no final do ano seguinte?
Será que eu quero mesmo todas essas regras cumpridas?
Será que estou disposta a pagar o preço?
Na minha lista para 2012 a primeira meta era perder tantos kilos.
Bom, é verdade, eu não estou no meu peso ideal, como metade do mundo não está. Até aí, ok!
Mas acontece que eu sou meio esquiva a metas inalcansáveis e bem..coloquei um número lá que vai ser trabalhoso de atingir..
Impossível? Não..
Possível? Com sacrificios monstros, sim..
Mas aí vem o tal do "que" da questão..
Porque ficar magra é importante?
Porque eu quero me sentir bem diante do espelho? Sim
Porque eu tô pirando em ver todo mundo que conheço emagrecendo e eu nadando contra a maré? Sim
Porque eu quero me sentir aceita? Sim
Porque? Porque? Porque?
E aí comecei a pensar que tem algumas metas que a gente quer ter, pra aparecer para os outros e esquece das coisas importantes para nós.
Sabe, eu realmente quero me manter no tamanho 38 e seria bem bom usar um 36, mas definir isso como a primeira meta para um ano novo, me parece bem banal em relação a tantas outras coisas que quero realizar.
E a lista continua e as análises delas me pirando..
Vou e volto em 10 itens que ficam horas em 3, horas em 15.
E não é fácil saber o que é que tô definindo pelas minhas vontades ou por uma questão de mostrar para os outros como sou bacana.É dificil admitir isso, mas é a verdade.
O que me remete a questão inicial: de onde, diabos, sairam tantas metas?
Tantas listas, tantos "eu quero"? Sendo que passei o ano inteiro fazendo o caminho contrário do que estabeleço como meta agora.
E isso vale para tudo: meu dinheiro, minha relação com os livros que quero ler, as coisas que acho que preciso ter, os sentimentos de que acho que preciso me livrar. E nada disso acontece só porque eu enumerei algumas coisas no papel (ou no computador).
As coisas acontecem porque a gente trabalha por elas e me aconteceu um fato que me fez pensar no assunto.
Fiquei extremamente frustada por que meus pais não vieram passar o natal comigo. Fiquei lamentando por horas aquilo e depois da ceia, só queria me trancar em casa.
Horas mais tarde, recebemos um convite para passar na casa de um amigo e eu rejeitei-o de ínicio.
Sentindo pena de mim mesma, fiquei ensimesmada no meu pequeno problema de carência familiar.
Daí uma luz me iluminou as idéias e depois da insistência dramática do amigo e do marido entendiado daquela falação, aceitei ir.
Chegando lá, me deram uma cereja que ainda estava com seu cabinho.
Me disseram que eu devia comer a cereja e ficar com o cabinho na boca, pois eles faziam um ritual anual de natal que era o seguinte: eu deveria dar um nózinho no cabinho, utilizando somente a lingua e depois eles me explicariam o motivo.
Estavamos lá, quatro adultos com cabinhos de cereja na boca, tentando dar um nó com a língua.
Todos conseguiram, e eu fiquei lá, com o cabinho na boca, insistindo.
Eles riram, zombaram da minha vontade de fazer aquilo acontecer mas eu continuei lá, com meu cabinho na boca, torcendo minha língua de cá pra lá para dar o tal do nó.
Uma hora depois, quando todos já haviam esquecido que eu estava com aquilo na boca, eu consegui.
Insisti um tempão, pois não julgava ser pior ou melhor que ninguém, não tinha meta nenhuma, só sabia que podia conseguir.
E fui lá e fiz.
Pois é isso que eu quero pro meu ano novo, que todos meus problemas e anseios sejam como aquele cabinho de cereja.
Que eu revire-os, torça-os, esprema-os, mas que no final eu os vença.
Metas são palavras ao vento..
É preciso mudar minha maneira como vejo mundo e participo dele para depois conseguir atingir o que eu gostaria.
E pra você que quer saber o que significa dar o nó no cabinho, diziam que na China antiga quem conseguia a proeza de dar o nó no cabinho da cereja é um bom beijador.
Fica a dica!!
Feliz 2012 e muitas cerejas para você..
Ouvindo_Gravity_John Mayer
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Fim de Ano
Há tanto por ser dito, há tanto por se descobrir
que penso que não há tempo senão para respirar a vida
pelo nariz, afim de sufocar-se com suas particulas pequenas de serenidade
Lá fora o mundo urge, e aqui dentro toca uma música
na cabeça que faz contas, falta grana
no coração, faltam pedaços
na memória, pipocam lembranças e vamos...
As revistas contam as histórias que gostaríamos de esquecer
a internet nos mostra o que ainda estamos por ver
e sentimos angústia no que está para acontecer
o ano novo bate a porta
os sinos que não tocam mais nos lembram dos tempos
em que esperávamos atentos o Natal
que faltava sempre tanto pra chegar
as expectativas ficam menores
menos otimistas
mas as saudades se agigantam
diante de tanta coisa que se atropela durante o ano
aos poucos vamos esperando
e na espera vira o fim do ano
e soltam-se fogos e olhamos pra cima..
como que esperando que algum sinal
se apareça, para mostrar que estamos no caminho certo.
As família se encontram, e se encontrando brigam
pois é isso que fazem as famílias que também se amam
e as que não brigam, choram de culpa
e as que não choram riem bêbadas do que está por vir
desse futuro aí na frente
na próxima esquina
chamando-nos e seduzindo
quem estiver a volta
sobre o que um dia se revelará.
Ouvindo_Closing Time_Semisonic
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Crônica - Abertamente
Abertamente, quero lhe dizer, que gosto de você.
Gosto porque gosto, gosto porque é assim que tem que ser.
Sinceramente, me perguntei várias vezes o que diabos eu via em você de tão especial..se o seu jeito, ou talvez essa sua maneira de lidar com as coisas, tão peculiar.
Acontece que nunca lhe disse claramente, ou se disse não fui enfática e nem objetiva, sobre como eu gosto de você e como você é importante pra mim.
Simplesmente mencionei algumas vezes como a nossa história foi bacana, e com medo de que me abandonasse de vez, fui me contentando com as migalhas de uma amizade que bem, já não era mais amizade droga nenhuma.
E nesta de te achar um cara isso e aquilo, e coisa e tal, me perdi.
Me perdi nas vezes que tentei desesperadamente achar razão nas atitudes que você tomava. Ficava procurando duplos sentidos, mensagens subliminares e essas coisas que a gente que é mulher faz, pra tentar se enganar. Não havia nada.
Havia era tesão, desejo, um gostar..mas amor mesmo. Não havia e nunca houve.
Amor com você é outra história, coisa que poucos conhecem.
Me enganei profundamente achando que eu saberia a hora de parar. Não soube e quer saber, não sei.
Limites são para as coisas ralas, superfluas, mesquinhas.
Limites são para idiotas que tentam quantificar o amor.
Eu nunca poderia fazer isso.
Mas, como o amor é cego, eu jurei que podia.
Jurei que te manteria a distância, e que entenderia seus outros relacionamentos tão paralelos a mim.
Eu jurava, mentia, me enganava.
Até que chegou aquele dia, em que eu te coloquei meio na parede.
Apontei o dedo pra você, mas na verdade ele estava virado pra mim.
Te disse um tercinho do que eu sentia, e na mesma hora, como um bicho acanhado você fugiu.
Fugiu de medo, de raiva, de pavor..ou sei lá o que..
Mas fugiu..
Talvez você sequer ache isso e, pra falar a verdade, aquilo de você fugir foi meio patético. Mas eu te entendo. .
Amar não é fácil, nem é certo.
E eu também, deixei de lado essa de me esconder atrás do que eu penso..
Já que eu tenho dito tantas besteiras por aí, poderia me perdoar por dizer mais essa.
Gostei, amei e você não quis.
É isso aí.
Quem sabe outra hora, outra vida, outro você.
Quem sabe..
Abertamente..
Eu.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
2011..o ano
Eu queria falar de como as pessoas foram importantes na minha vida nesse ano, queria dizer aqueles que não gostam de mim como fui vencedora e como fui capaz, mesmo contra a vontade deles.
Queria dizer aos meus familiares que venci, e que acho isso pois o ano foi muito dificil pra mim; mas nada disso seria verdadeiro se, antes de tudo eu não dissesse ao meu reflexo no espelho o quanto fui corajosa.
Mesmo que todas as pessoas acreditassem, e me apoiassem, mesmo que os meus amigos me sorrisem, mesmo que o tempo levasse aqueles que não gostam de mim para longe e ainda que meus familiares se orgulhassem, nada disso seria possível sem que eu tomasse conta da minha vida.
Fui eu ali, em cada palavra, em cada momento ingrato, em cada escorregão, em cada perdão consentido, em cada letra escrita. Fui eu, cavando as mentiras que escrevi para me contentar com o incontentável, eu que desenterrei os sentimentos que havia escondido de mim e dos outros. Fui eu que amei em terceira pessoa, eu que escrevi poemas que não serão lidos, eu que fiz blogs e mais blogs para dizer ao mundo o que estava se passando comigo.
E tem mais o que vir, tem muito mais.
Mas algo em mim morreu neste ano, assim como milhares de coisas nasceram.
Morreu a culpa, a falta do auto perdão, a carência desmedida, morreu o que já estava morto e que eu tentava reviver a qualquer custo.
E nasceram coisas boas, sim, elas nasceram.
Nasceram amizades inesperadas, pessoas maravilhosas, idéias geniais, músicas soletradas no violão, nasceu aquilo que foi plantado em todas as cartas e e-mails que escrevi. Naquilo que comecei e não terminei, na bagunça que tive de fazer dentro de mim para me arrumar.
Foram rompidas algumas barreiras também..a do silêncio, a do respeito e a do perdão.
Eu achei que poderia resolver meus problemas com palavras borradas pela minha escusa vontade de acreditar, e ninguém resolve problemas assim.
Eu achei que as pessoas me perdoariam, que elas me diriam coisas boas..mas eu só colhi aquilo que plantei. E é preciso se contentar com isso.
Se a grana estava curta e a cerveja pela metade, bebi o que restava.
Fui até o fim na minha luz e na minha treva.
Me vi lá dentro, inocente, pulsante, alegre, adulta, menina e mulher.
Chorei como nunca, rasguei minha alma pela metade, me dividi, me apaixonei, me trai.
Fui poeta, cantora, desenhista e pintora..
Plantei.
Cultivei plantas e com elas aprendi a esperar, guardei a ansiedade pra mais tarde.
Enfrentei o que tinha pra enfrentar.
Sorri para os meus medos, contei alguns de meus segredos..
Escrevi..
Escrevi muito..
Escrevi para você, para alguém, pra ninguém.
Escrevi, pois escrevendo vivo, permaneço..marco.
Escrevo, porque assim aprendi a me conhecer. Escrevendo cada palavra, cada rima, cada cantiga incrustada num violão partido, me fez ver que eu era muito mais do que alguém sem destino.
Eu era alguém, como tantos outros alguéns por aí vivendo.
Me pertencendo, me achei.
Me encontrando, pude me perder em mim.
Valorizar-me, amar-me, saber-me melhor..
Entender que o meu desejo é viver plenamente, criativamente, transformando o que me contorna, cantando músicas que ninguém conhece, ficando velha antes do tempo e adolescendo para o que é novo.
Me remendando em cacos, fui me costurando de volta.
Me reencaixando os pedaços, invertendo as peças, procurando novas luzes para minhas sombras.
Fui sacudindo o pó de guardado da minha alma, olhei direto para as questões que me circundaram e avancei. Calei a minha boca falante e deixei falar os olhos, e o coração.
A boca ainda precisa reparo, mas também sei hoje que excessos nem sempre são maus.
Me colando de volta, percebo como houveram coisas que mudaram de lugar.
Como existiram peças que não irão se encaixar nunca mais, e como sobra espaço pra um monte de coisa nova chegar.
2011 foi o ano.
Como nunca antes, como eu nunca imaginei.
Pela primeira vez, eu me encontrei comigo mesma, e dei um alô pra pessoinha que mora aqui dentro.
E a vi sorrindo..
E dito isso, é preciso agradecer a todos aqueles que estiveram presentes nesse ano que passou.
Aqueles que beberam comigo, os poucos que puderam dividir comigo suas lágrimas e seus sonhos, os que me abraçaram de verdade, os que almoçaram comigo, os que viraram madrugadas ao meu lado.Aos colegas de trabalho, e as chefias que também tanto me ensinaram nesse ano.
Quero agradecer ainda, aqueles que me desprezaram, me ignoraram, me foram rudes, me escrotizaram.
Obrigada por indiretamente me ensinarem lições preciosas.
Obrigada aqueles amigos que estiveram de longe, me observando em linhas de e-mails, ou no comunicador instantâneo. Aquelas pessoas que tem o dom de estar tão longe e ao mesmo tempo tão perto de mim.
Quero agradecer aos profissionais que conheci esse ano, e principalmente a duas mulheres que estão me ajudando nessa caminhada de mudanças.
Agradeço aos meus pais, por eles serem meus pais, e por terem sido tão verdadeiros comigo. Ao meu irmão que me mostrou que nunca é tarde pra mudar.
Obrigada ao meu companheiro que me ensinou coisas belas e lições inexplicáveis, que esteve comigo nos momentos de luta e nos momentos de glória e que dividiu comigo os pormenores da vida de casal.
Entrou comigo num projeto maluco que eu inventei, riu comigo e brigou comigo tantas vezes quanto foi preciso para me fazer entender as coisas.
E finalmente, obrigada a Ele, por ter me ajudado a parar de duvidar.
2011 foi o ano, muito obrigada.
Ouvindo_Junk of The Heart_The Kooks
* Quer ouvir The Kooks? Clica aqui ó
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Amigo
São poucos os que nos entendem
os que compreendem nessa loucura
o nosso tesão pela vida
e pelas coisas que nos acontecem
são poucos os que riem para nós,
com sinceridade nos olhos e nos lábios
os que nos elucidam a mente
os que nos contam mais do que o necessário
são poucos os que nos vêm por aí
os que nos acham sensacionais
os que nos notam no meio da multidão
que nos percebem enquanto
choramos, caimos e cantamos
são poucos como eu e você
e são muitos se comparados
as tantas pessoas insignificantes no meio do caminho
mas somos nós, lá
no meio da balburdia
no meio do coitidiano que urge
onde aparecemos
com os nossos sorrisos bobos no
rosto e quase sempre, querendo sempre mais..
somos nós, meu amigo
atrás dessa coisa que nos satisfaz
atrás do logo mais, do daqui pra frente
e do que vai adiante
somos nós..
e isso,
só hoje, nos basta.
Ouvindo_Oswaldo Montenegro_Sempre não é todo dia
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Escolha
A questão era escolher.
Escolher por escolher simplesmente, tomar uma atitude, decidir por um dos lados do muro.
E ela, que havia recusado aquilo a vida toda, perdia completamente o controle. Já não sabia mais o que era dela, nem mesmo sabia quem era ela depois daquele triste dia.
Os domingos tinham perdido sua graça desde então, assim como todo o resto da semana. Segundas intermináveis, terças incontroláveis e quartas meia boca invadiam-lhe em seus pensamentos distantes sobre as escolhas que nunca havia feito.
Certo é que, ela tinha escolhido não escolher, e mesmo aí, havia esperança, ela pensava.
Chegava a achar aquilo um tanto chato, já que se gabava internamente por ter se poupado de grandes decisões. Sentia-se confortável sobre a situação e não via motivo em modificar-se até que aquilo tudo aconteceu.
O seu mundo protegido pela sua ausência momentânea, desmoronava diante dela de maneira cruel, e ela sequer sabia o que poderia fazer. Afinal, fazer é algo que vem logo em seguida a escolher.
Palavras distantes no vocabulário meio monossilábico que adotara agora, enquanto assistia a cena. Palavras que perderam o sopro de vento que ainda restava dentro de sua garganta.
Ela, complacente, aceitou chorando seu destino, escolhendo não escolher como sempre, preferiu enfiar-se numa dessas de auto piedade e culpa, engolindo o choro e a raiva, e as dúvidas e ela mesma numa proteção exagerada, sabe-se lá do que.
Já não existia ela, era só uma figurante interpretando seu papel. Seu papel conhecido de mulherzinha, enquanto dentro dela montanhas russas gigantes se esticavam, um coração batia acelerado e medos se transformavam em coragem, num lugar onde ela poderia ser quem ela realmente era.
E lá nesse lugar, no fundo do seu coração ela se deixou ficar.
E enquanto observava tudo ruir, como que numa explosão gigantesca, algo dentro da mulher se mexeu. Ela não soube se era ela, ou se apenas uma movimento involuntário como que num espasmo d’alma, e então ela se viu.
Viu-se lá dentro trancada, ensimesmada.
Avistou a sua versão original, tão triste e desencantada que se perdeu em seu olhar por algum tempo. Olhou-a com atenção e enquanto olhava, as coisas iam mudando de lugar, ficando verdes, amarelas, rosadas, mistas, as grades que a protegiam iam se transformando em cordas, depois em laços delicados e finalmente em fitilhos coloridos.
Ela estava assumindo seu papel de novo.
Resgatando dentro dela mesmo a alegria que havia perdido, recuperando sua força e sua coragem, tomando sua vida de novo pela mão e escolhendo.
Escolhendo viver a vida, escolhendo escolher o que ela queria, escolhendo dizer ao mundo a que veio.
E escolhendo, firmou-se.
Estava transformada a questão.
Escolher por escolher simplesmente, tomar uma atitude, decidir por um dos lados do muro.
E ela, que havia recusado aquilo a vida toda, perdia completamente o controle. Já não sabia mais o que era dela, nem mesmo sabia quem era ela depois daquele triste dia.
Os domingos tinham perdido sua graça desde então, assim como todo o resto da semana. Segundas intermináveis, terças incontroláveis e quartas meia boca invadiam-lhe em seus pensamentos distantes sobre as escolhas que nunca havia feito.
Certo é que, ela tinha escolhido não escolher, e mesmo aí, havia esperança, ela pensava.
Chegava a achar aquilo um tanto chato, já que se gabava internamente por ter se poupado de grandes decisões. Sentia-se confortável sobre a situação e não via motivo em modificar-se até que aquilo tudo aconteceu.
O seu mundo protegido pela sua ausência momentânea, desmoronava diante dela de maneira cruel, e ela sequer sabia o que poderia fazer. Afinal, fazer é algo que vem logo em seguida a escolher.
Palavras distantes no vocabulário meio monossilábico que adotara agora, enquanto assistia a cena. Palavras que perderam o sopro de vento que ainda restava dentro de sua garganta.
Ela, complacente, aceitou chorando seu destino, escolhendo não escolher como sempre, preferiu enfiar-se numa dessas de auto piedade e culpa, engolindo o choro e a raiva, e as dúvidas e ela mesma numa proteção exagerada, sabe-se lá do que.
Já não existia ela, era só uma figurante interpretando seu papel. Seu papel conhecido de mulherzinha, enquanto dentro dela montanhas russas gigantes se esticavam, um coração batia acelerado e medos se transformavam em coragem, num lugar onde ela poderia ser quem ela realmente era.
E lá nesse lugar, no fundo do seu coração ela se deixou ficar.
E enquanto observava tudo ruir, como que numa explosão gigantesca, algo dentro da mulher se mexeu. Ela não soube se era ela, ou se apenas uma movimento involuntário como que num espasmo d’alma, e então ela se viu.
Viu-se lá dentro trancada, ensimesmada.
Avistou a sua versão original, tão triste e desencantada que se perdeu em seu olhar por algum tempo. Olhou-a com atenção e enquanto olhava, as coisas iam mudando de lugar, ficando verdes, amarelas, rosadas, mistas, as grades que a protegiam iam se transformando em cordas, depois em laços delicados e finalmente em fitilhos coloridos.
Ela estava assumindo seu papel de novo.
Resgatando dentro dela mesmo a alegria que havia perdido, recuperando sua força e sua coragem, tomando sua vida de novo pela mão e escolhendo.
Escolhendo viver a vida, escolhendo escolher o que ela queria, escolhendo dizer ao mundo a que veio.
E escolhendo, firmou-se.
Estava transformada a questão.
Seu mundo já sabia quem ela era agora.
Tudo isso, enquanto seu mundo desabava. Tudo isso enquanto tudo teimava em ser não.
Ela escolheu resgatar-se.
Ouvindo_Old Folks (New Year)_Rosie and Me
Tudo isso, enquanto seu mundo desabava. Tudo isso enquanto tudo teimava em ser não.
Ela escolheu resgatar-se.
Ouvindo_Old Folks (New Year)_Rosie and Me
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Waves of choice
Nas minhas escolhas mando eu,
mando quem quiser mandar
deixo quem quiser deixar
nas minhas escolhas
todas tão indefinidas
deixo o tempo passar
e quanto mais eu me entendo
pior começa a ficar
porque mais me desconheço
e há tanto o que consertar
a mim e as tantas escolhas
certas e erradas que cometi
todas enfileiradas
me buscando como zumbi
só posso contemplar
e admitir
que o tempo é a escolha do presente
do que ficou aqui.
Ouvindo_Lily Allen_Everybody is Changing
Assinar:
Postagens (Atom)






















