segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O medo da dor




Na semana passada, na minha sessão de coaching do Jardim do Ser, veio a seguinte questão:
Do que a Luciana tem medo?

Meio relapsa eu respondi de pronto, que não sabia..
Mas venho pensando nisso desde então, e acho que eu cheguei a algumas questões..
Sabe do que eu tenho medo?
De tudo!

É bizarro assumir isso, assim, do nada, mas é isso mesmo..
Ando meio medrosa..amedrontada com o que a vida quer me oferecer de bom, ou de ruim.

Me arrisco até a dizer que, um certo medo de dar certo, me consome.
Sempre acho que isso não é pra mim, que eu não tenho talento, que eu sou meio preguiçosa, que sou meio isso, meio aquilo..

E olha que grande cagada  bobagem!
Ter medo de tanta coisa! E sem nem saber direito do que ..

Começo a perceber que toda essa minha busca em ser alguém, em ter um trabalho que ame, e em fazer algo que goste pode estar amarrada a esse meu medinho tolo, que só me impede.

Minha Coach é sábia!
E devo a ela esse insight..


Pegando o gancho da história do medo..
dia desses resolvi que ia jogar bola, sabe?
Futebol de salão, ou futsal como chamam alguns!
Sempre fui fã de jogar bola, sempre amei futebol e calhou de ter a oportunidade.
Meio sem graça, cheguei na quadra onde estavam as outras meninas, e me apresentei.
Não senti muita firmeza no pessoal..e muito menos em mim, mas fui lá me embrenhar na peleja.

Fiquei no time dos meninos, que entraram pra inteirar o jogo, e claro, me dei mal.
Corria, pulava, pedia a bola..e nada.
Eles só tocavam entre si e eu ficava lá, correndo de um lado pro outro..
Mas, na fatídica hora que a bola veio para os meus pés, só fiz burrada..
toquei errado..depois, joguei pra fora...depois chutei torto..

e finalmente, quando eu ia dominar uma bola na linha de fundo, apoiei meu pé direito de maneira incorreta e girei meu corpo em cima dele. De repente eu não via mais a quadra, eu só senti meus ossos, tendões e tudo que tem dentro, retorcendo em uma forma estranha, senti um estralo e puuff!

Cai no chão, já tirando o tênis e em desespero..
Nunca tinha torcido o pé, logo, nunca tinha sentido aquela dor..
e aí, amigo, não adiantava ter medo, ter cuidado, ter me antecipado..
estava lá eu, sentada no chão, segurando meu pé, com um bando de desconhecidos olhando atônitos a cena.

A professora trouxe gelo..
e eu fiquei lá..só pensando na dor, na dor..na dor..
Fiquei observando meu pé duplicar de tamanho e o jogo que continuava na quadra.
Quando eu finalmente sentei no carro pra ir embora, desabei num choro!
Sabe aquele choro de criança quando machuca?
Aquele choro que alivia?

Chorei largado!
Chorei demais!

Depois foi passando..eu fui me acalmando..
pensando que tudo aquilo era uma bobagem..que eu não devia ter ido sem me preparar..
que eu não estava usando uma chuteira adequada, que eu isso, que eu aquilo..

E sabe do que mais?
O choro sessou, a dor diminuiu, a raiva passou..
Sobrou o pé inchado e eu..
O resultado não do medo, mas da falta de tato.

Da falta de consciência de mim mesma, de me conhecer a ponto de saber que eu não estava pronta pr'aquilo, de saber que eu não iria a voltar a jogar como antes sem treino e sem preparo..
Que ninguém ia me passar a bola, pois não estava escrito na minha cara que eu jogava bem, muito menos diante dos meus passes.

Ou seja, a prepotência em pessoa..
Achando-me a tal, e mal consegui ficar em pé, no primeiro jogo.


Muitas lições aprendidas na queda..
mas a maior talvez seja a de que a dor ensina.
Ensina mais, mais rápido e melhor..


Ouvindo_Chico Buarque_Apesar de você

Um comentário:

Taís e Paula disse...

Acho q tb sofro um pouco desse mesmo mal = medo + prepotência. Preciso parar de tomar tombos e me preparar melhorar. Beijos da Taís.