sábado, 12 de janeiro de 2013

Sentir-se em casa




O que é estar em casa? É o cheiro familiar da roupa de cama? O aconchego do próprio travesseiro?
A intimidade do banheiro? É o barulho familiar do caminhão de gás passando lá fora? Os cheiros da cozinha? 

O que é estar em casa para você? 

Para mim, estar em casa e sentir o conforto da minha cama. Mesmo que em alguns dias, eu não ache ela tão confortável assim. É escolher minhas roupas no armário, é saber onde está o chá, fazer o meu café.
Estar em casa é precioso. 

Mas viajar! Ah, viajar é divino.
Pois quando a gente viaja, o mundo passa a ser nossa casa. E nos lares de outros, fazemos nossa morada. 

Digo isso pois estive recentemente em Florianópolis, visitando uma grande amiga, e mesmo sem nunca ter posto os pés na casa dela, me senti em casa. Protegida, acolhida, amada. Estava em casa, mesmo longe do meu ninho.
Parece piegas, e as vezes até é mesmo, mas gosto disso. De achar meu espaço, no espaço alheio. De me sentir a vontade, de poder brincar com a minha percepção do que é meu e o que é do outro. Desapegar da rotina e experimentar um pedacinho de vida em outro lugar.
Mas existem lugares, que ao contrário da casa da minha amiga, não nos fazem sentir acolhidos. Pelo contrário. Permanece a sensação de desabrigo, mesmo que embaixo do teto, sentado no sofá. Aquele despertencer incomodo e que também faz parte de viajar. É quase como uma sensação de estrada constante, como se quiséssemos sair dali logo pra outro lugar, pois falta o que ver, sentir, olhar. 

Gosto muito de viajar, e gosto muito da estrada, aliás, gosto do caminho. Avião, ônibus, carro..pouco importa. A mudança de paisagens, as pessoas, os sotaques, os costumes, os hábitos. Viajar é observar o outro e a si mesmo, de ângulos muito peculiares. 
Quando partimos do nosso lugar seguro, estamos nos sujeitando as coisas como elas realmente são. E que nada tem de certas, perfeitas.
Elas só são diferentes de nós, do caminho que fazemos todos os dias para o trabalho, dos restaurantes que conhecemos, dos preconceitos que temos. Quando viajamos, viramos nossas próprias casas, abertas para a rua chamada Vida, a espreita da sorte que nos valha e dos santos que nos protejam até a volta.  


Ouvindo_Vida Real_Engenheiros do Hawaii




Um comentário:

Tati na Irlanda disse...

Me vi aqui! Adorei amiga! Parabéns!!