quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Simples - cidade




Eu estava esperando por aquele momento, sabe?
Aquele momento mágico, como nos filmes, em que acontece algo grande e aí eu iria entender tudo.
Esperando que iria acontecer algo que mudaria minha vida para sempre, como um beijo inesperado, uma carta do nada, ou quem sabe uma cigana que me contaria todos os segredos e aí, enfim, eu saberia.

Esperei por algum tempo, procurei em alguns buracos e em outros tantos livros, me enchi de falsas esperanças e olhava apavorada na janela pra ver se alguma coisa acontecia e... nada.
Nada de novo, tudo como sempre, pensava eu desatinada.

Mas um dia, enquanto eu olhava pro passado, pensei: "Uau, quanta coisa mudou!!!"
E aí mudou quando? Como? Quanto?
Como aconteceram todas essas coisas e aonde estava eu que não percebi tudo mudar daquele jeito?

Bem, eu estava lá, talvez imaginando na janela ou tentando ler nas entrelinhas algo que nunca fora escrito.
E enquanto isso as coisas mudavam.
Não assim, como nos filmes nem como a minha leviana imaginação pintava.
As coisas iam mudando gradativamente, devagarinho, em gestos simples, em coisas pequenas e em palavras que eu já nem sabia que havia dito e escrito.

E enquanto tudo isso acontecia, eu esperava o futuro brilhante em algum lugar secreto.
Eu tentava espiar os dias seguintes, antevendo o grande momento da mudança, onde a música iria tocar mais alto e eu realmente ia ser feliz. E como um sopro silencioso ao meu redor, as coisas iam mudando.

Como um embrião de bebê, como semente, como tudo na natureza, as mudanças maravilhosas só acontecem devagar, pra que você vá se adaptando, vá se mudando e se moldando aquela nova verdade..
Milagres diários que acontecem sem que ninguém perceba, enquanto ninguém olha, sem platéia nem tv, nem a moça bonita da propaganda a ventilar os cabelos contra o vento.

Tudo acontece sem que ninguém perceba.
E de repente, eu estava lá, ausente e presente ao mesmo tempo, olhando o tempo passar enquanto tudo se transformava ao redor.

E então eu soube.
Soube que nunca iria saber tudo, e que isso pouco importava.
Soube que lá dentro de mim, uma menina ainda sonhava cintilante com seu grande momento esperado, mas que de fato ele acontecera tantas vezes e de maneiras tão diferentes que nem mesmo o melhor diretor de cinema poderia ilustrar.
Soube que quanto mais a gente vive, mas tem a sensação de que precisa viver e aprender e que a gente deixa o tempo passar, só pra poder contá-lo nos dedos.

Soube enfim, que minha pobre memória é que me falha as vezes, nessa de se esquecer do que vivi, quase sempre acho que não tenho muito o que contar.
E agora ao invés de ficar ali, esperando o futuro chegar, vou pra rua vivê-lo, e ter tantos outros momentos pra contá-lo.

Pois silenciosamente, tudo está mudando.
Basta ajustar o olhar.




Ouvindo_Strings_Young The Giant Young The Giant.

Um comentário:

Taís e Paula disse...

É assim mesmo, né? Mas a gente fica esperando um "milagre", uma mudança repentina e grandiosa, enqto formiguinhas passam e carregam nossas coisas e trocam tdo de lugar.
Beijos da Taís.