sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Tenho pressa





Tenho tanta pressa de que as coisas ocorram.
De que tudo dê certo, que dessa vez eu acerte.
Tenho pressa, pois algo além de mim urge, chama..
Implora que aconteça.

Tantos outros, como eu, vivem a vida, a caber-se no seu tempo e no seu espaço. Mas não eu.
Eu tenho pressa de que as coisas andem, mesmo sabendo que as vezes, elas andam ao contrário. Mesmo sabendo que de tanto ter pressa, já me atrasei. Mesmo sabendo que a paciência é prece para a perfeição. 

E de tanta coisa que corre e que pulsa por aí, tenho pressa de tudo que é bom.Tenho pressa de realização, de felicidade. Tenho pressa para receber aquele convite inesperado, pra viagem que não chega, para o fim de noite acompanhada..

Mas a pressa..ela castiga. Ela atormenta e cobra o seu preço.
Tive tanta pressa em buscar minha felicidade, que sai atropelando tudo, pra mudar,
Tive pressa em escolher, e muitas vezes, escolhi errado. Tive pressa em amar, e desandou.
Tive pressa em ser o que eu gostaria, e não fui nada. 

Hoje, me divido na ansiedade de acontecer, e na paciência de saber que tudo ocorre a contento.
Mesmo querendo, torcendo, vibrando para que tudo se transforme depressa, percebo o silencioso transformar da natureza, e assim me calo. 
Percebo o nascimento de um bebê, e sua espera resiliente e diante disso, me resigno.

Acho que no fim das contas, tenho pressa mesmo é de ser paciente.


Ouvindo_Sol das Lavadeiras_Zé Manoel

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A minha cidade





Uberlândia, é o nome da cidade.
Uma cidadela no interior de Minas, com aquele jeitão de cidade grande, mas com jeitinho de gente de cidade pequena. Em Uberlândia, tudo é diferente do que se conhece em outros lugares.
Mas como a maioria das cidades, apresenta seu lado bom e seu lado ruim.

Saí de Uberlândia, não por odiar a cidade, embora eu achasse as vezes que era por isso, mas porque eu nutria nada secretamente uma paixão visceral pela cidade de São Paulo. E depois de quase 08 anos fora da minha terra natal, a saudade agora, aperta um cadiquinho, toda vez que vou lá.
Talvez seja porque algumas coisas, e foram muitas, floresceram na cidade. Ruas que cresceram, movimento que aumentou, muita coisa nova, mais lugares integrados, mais novidades, mais locais de cultura e arte, enfim..Uberlândia cresceu e amadureceu.

As pessoas também se modificaram..
Minha família mudou, meus amigos mudaram, e talvez por eu não me sentir tão parte deste lugar mais, é que ele me encante tanto.

Me sinto uma estranha em Uberlândia.
E isso, é positivo.
Nunca gostei daquela coisa de ser reconhecida nos lugares, de saber quem era quem, ou comentar sobre as pessoas "mais importantes" da sociedade porque enfim, eu não dava a mínima. Só queria viver minha vida tranquila, podendo ser quem eu era, num lugar onde quase todo mundo queria permanecer igual.

Mas, e as coisas boas?
Poxa, Uberlândia tem uma qualidade de vida excelente. Dá pra ir almoçar em casa todo dia, se quiser.
Dá pra ir caminhar no parque todo dia, sem pegar duas horas de trânsito. Dá pra fazer academia, comer bem, sair com os amigos sem ter que deixar todo o salário do mês.
Poxa, dá até pra emagrecer em Uberlândia.

Afinal, toda vez que eu venho aqui tá todo mundo tão bem, que eu sempre acho que a culpa de eu estar umas toneladas acima do peso, é de São Paulo.
E falando em comer..nunca vi um lugar tão barato pra se comer bem. Tá certo que Sampa tem diversas opções e coisa e tal, mas de que adianta, se eu você não consegue pagar nem a metade.

Uberlândia, tem uma beleza singela. O sol da manhã, com o céu azul no verão e sem a poluição no meio, dão a sensação que você está respirando de verdade. E mesmo que você transpire muito por conta do calor, vale a pena.
Vale a pena caminhar no centro e encontrar o bar que costumava frequentar com o pessoal da faculdade, vale a pena andar pela Av. Rondon Pacheco e perceber que muita coisa mudou e muita coisa permaneceu. Vale a pena encontrar com as pessoas tão simples da cidade, principalmente nos bairros mais afastados do centro, onde algumas coisas permanecem quase primitivas, e pra mim, quase irreais.

Uberlândia, abre-se diante dos meus olhos de maneira diferente, admito.
Sem todo aquele glamour de São Paulo...sem toda a tragédia que eu imaginava pensar, se um dia voltasse pra lá.

Minha cidade é outra.
Em transformação natural, em amadurecimento lento, em desabrochar tardio.
Uberlândia floresce pra mim, que ainda não encontrei em Sampa, minha grande realização.
E abre-se em possibilidades..

Talvez esse seja um devaneio tolo, banal, e eu esteja delirando diante das minhas frustrações cotidianas, mas vá lá. Vale a pena sonhar.

Afinal, todo lugar é lugar pra quem nunca teve um sonho feliz de cidade!


Ouvindo_Soma_The Strokes

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

primeiríssima permissão



Imagino que não deva ser somente eu que me perco as vezes nas madrugadas da vida, com a cabeça cheia de idéias, o coração acelerado e sem conseguir dormir. Acho que isso assombra até o mais pacato dos seres humanos, mesmo que vez ou outra.

Mas aí, eu fiquei ali apreciando o silêncio daquele momento. Fiquei deixando minha mente navegar naquela escuridão, deixando os sentimentos virem a tona, quase que numa terapia intensa comigo mesma. Naveguei por entre medos, sonhos, desejos, realidades.
Fiquei ali, olhando para o led dos receptores da tv, a luzinha piscando do celular, e ouvindo os sons da casa.

Contemplava a existência, por assim dizer.
Numa noite de primeiro de janeiro com muitas questões a serem respondidas, e quase nenhuma resposta assertiva em minha mente, deixei-me conduzir por aquele emaranhado de coisas que circundavam minha cabeça.
Me emocionei, me critiquei, me perdoei, me entendi.

Rezei. Pois é preciso ter fé que tudo irá melhorar, que as coisas vão mudar, que esse despermanecer intenso que me consome, pode sim me mover pra algum lugar. E aí, desejei que todo mundo que se preste, devia  conversar mais consigo, ouvir mais a própria cachola, entender mais o que o corpo está dizendo. Que devia ser obrigatório, ou vital, sentar só por alguns instantes e deixar que a cabeça fale, que o coração ensine, que o mundo faça silêncio para que se possa ouvir. Mesmo que diante de tanto barulho e de tanta informação que circula, que estejamos prontos para calar.

E nesse desconectar madrugal, me vi ali sentada na cama, como nunca antes. Sem medos do escuro, sem medos do que eu não via, sem medo de sentir, de bagunçar as idéias, sem medo de não fazer sentido.


Na madrugada do primeiro dia, pela primeira vez, me permiti.



Ouvindo_Trying to Pull Myself Away_Trilha de "Once"

2013



Onde andam os meus sonhos? Meus momentos felizes? Minha coragem de ser quem eu sou?
Onde anda a minha cara lavada, meus rabiscos diários, minha personalidade mutante?
Onde andei eu, todo esse tempo?

Andei caminhos vacilantes, perdida em sonhos torturantes
imagens do que não vivi


andei por entre meus medos e mais ainda por meus desejos de realidade que não existiram mais em mim

mais importante do que tudo isso, são as coisas diárias,
as pequenezas, as corajosas gentilezas de parar de me punir

que o ano que se inicia seja de coragem e transformação
que seja de bençãos
de união
que seja pra eu realmente
me ouvir.


Ouvindo_barulho do ar condicionado

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

no final eu digo..não



Incrível como nascemos programados para buscar a aceitação alheia. Quando crianças, ao primeiro som de um "não pode", choramos aflitos.É a primeira negação das nossas vontades, e por conseguinte do que somos e do que acreditamos. Ou assim nos parece, dentro de longos e sofríveis anos da nossa vida.

Para alguns, e eu me incluo nisso, o aprendizado do não é uma tarefa difícil. Até porque, não queremos "ser maus" rejeitando os outros. Aceitamos tudo, porque no fundo, não queremos que isso aconteça com a gente. Vamos a compromissos detestáveis, festas evitáveis, lugares indesejáveis só pra não dizer: hoje eu não vou. Queremos ser aceitos, minha gente!

Porque se você disser não pode ser que pegue mal, alguém vai ficar chateado, vão te levar a mal, quem sabe você não seja mais convidado, e aí, você vai, mesmo sem querer para o compromisso, porque  quando for sua vez de convidar, certamente vão aceitar.

Só que não.
Nem sempre as pessoas dizem SIM pra gente.
Aos poucos vamos percebendo que tem gente que fala um não numa facilidade, que chega até a arrepiar o ouvinte. E te colocam naquela situação mentalmente constrangedora do: "Mas como? Eu já fui em tanta coisa chata que você me convidou!!, que absurdo".
Pois é, mas não existe regra pra essas coisas, e muito menos pra vontade alheia.


E aí, você que adora aceitar uma coisa qualquer só pra não contrariar, fica com a maior cara de tacho, quando alguém te diz NÃO.
Eu pelo menos, não considerava nada palatável. Mas, aprendi que essas pessoas, verdadeiras desbravadoras das conveniências sociais, muitas vezes são mal interpretadas.
Sabe porque?

E se de repente a pessoa vai, e estraga tudo? E se arranja uma briga? E se magoa alguém? Não é pior?
Então, vendo tudo isso acontecer, comecei a ensaiar meus pequenos não's diários. E aceitar com mais felicidade o não dos outros.

Confesso, que o primeiro não dito com propriedade, é bem estranho. A pessoa te convida com aquele sorriso grande, cheio de expectativas e você diz: "Não, meu caro, eu não vou!".
Juro que fiquei esperando uma pedrada na cabeça, ou uma palavra mais ríspida. Mas o fato é que o outro foi tão pego de surpresa que não conseguiu reagir. E voilá! Olha quem ficou livre de um compromisso chato!

Poisé..
Mas, pior que o Não, assim deslavado. É a tal do NÃO disfarçado de desculpa.
Aquele "Ihh, não vai dar..tenho que levar o cachorro da minha mãe no médico.." ou então "Ah, acho que tem um aniversário.." ou "Nossa, preciso ver, cara.."
Eu sei porque, já dei essas desculpas..várias vezes.

E não é porque eu não gostava da pessoa..é simplesmente porque eu não queria ir lá.
Não achei interessante, poxa! Pra que que eu vou?
Mas ficava me sentindo culpada por ter que disfarçar com uma desculpa que poderia ser facilmente desmentida a qualquer momento. E, é bem certo que a outra pessoa ficou achando que o problema era com ela.

Mas a vida tem dessas coisas. E algumas delas são corriqueiras a todos. Quer ver?
Por exemplo, aquele compromisso anual (seja ele qual for), com aquele pessoal da família/trabalho/grupo de estudo  com quem você não é muito chegado. Sabe como é?
A situação se desenrola mais ou menos assim:

Primeiro, você não quer ir. As pessoas insistem e então, você tenta desviar.
É pego então na tentativa de te entenderem, com a velha pergunta: Mas porque você não quer ir?
Você responde, e inventa alguma coisa. Daí, arranjam uma solução pro seu problema que nem existe.
A armadilha foi armada, você caiu..e é aí, que você diz SIM, querendo dizer NÃO e faz a maior besteira da sua vida. Porque com certeza só será ruim pra você, indo ao mau fadado compromisso.

Então, quero propor um ato de coragem a todos meus amigos e leitores que frequentam esse blog.
Vamos começar a ser mais diretos. Acabar com uma convenção social que mata diariamente as relações, por acabar com a beleza da sinceridade.
Se quem convidou foi um amigo, com certeza vai te entender.
E se for alguém que ficou chateado, é porque com certeza não merece estar em seus círculos sociais.

Só pra contrariar um pouco este texto, eu mesma, ando precisando é dizer mais SIM.
Tô meio enjoadinha de dizer não, pra tudo que me convidam.
Quem sabe..

....cenas dos próximos capítulos..


Ouvindo_Mulheres de Atenas_Chico Buarque



terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O poder do outro



De fato, não sei nada sobre relacionamentos. Sei pouquíssimo sobre as pessoas e menos ainda sobre a vida. Então decidi escrever um texto pra falar do pouco que eu sei, e que tenho observado em mim, e claro, nos outros.
Venho querendo falar sobre isso a dias, e não encontrava maneira de desenhar em palavras o que descrevesse o que eu percebi. Talvez, vá parecer muito óbvio pra você que me lê, ou talvez o leitor não faça a mínima ideia do que estou falando, mas isso é menor dos problemas.

Relacionamentos baseiam-se em afeto mutuo, respeito, carinho e uma pitada de sexo, certo?
Bem, pode parecer simplista mais a grande parte das coisas que se busca em uma relação estão aí. Mas são muitos os tons de cinza, dentro desse preto e branco.
E não, eu não estou falando do tal livro famoso.

Se isso é o que buscamos numa relação, porque depositamos tanto no outro, a responsabilidade de sermos felizes? Porque, esperamos que essa pessoa que está do nosso lado, que é cheia de medos e inseguranças e sonhos e tudo o mais que importa assim como nós, seja tão culpada diante de nossa incapacidade de nos doarmos sem pedirmos nada em troca.

Talvez seja uma questão de auto conhecimento, auto responsabilidade, respeito próprio, e por favor consciência do que se está fazendo para o outro e com o outro, que nos metemos nessas grandes enrascadas de amor, porque ah..o outro..tão malvado, tirou de mim o que eu sei lá que eu queria dele.

Venho observando isso a algum tempo, e me toca saber que existem pessoas que não sabem sequer porque se encontram em um relacionamento. É tão confuso para elas o que elas estão procurando ali, que em seus discursos quase sempre escuto que o problema é sempre com o outro.
O outro que não me ama como eu acho que deveria ser amada. O outro que não me entende e que não vê os sacrifícios que eu fiz pela relação, o outro que não deixa de fazer o que quer enquanto eu abro mão de tudo.

E aí, nessas conversas, eu sempre me vejo em algum relacionamento do passado, depositando as mesmas dúvidas e inseguranças nas outras pessoas. Quantas vezes eu me senti humilhada, ou me senti vítima de uma relação que eu mesma tinha cavado. Quantos homens eu julguei como maus, cafajestes, ou coisa que não valha enquanto era eu que permitia que eles fizessem o que achavam que era certo, comigo.
Onde foi que eu assinei o contrato que dava plenos poderes àquelas pessoas para fazerem tudo aquilo comigo?

Eu não assinei nada. Só me abstive de ter opinião, de saber quem eu era, da certeza do que eu queria. Na verdade eu acreditei de maneira inocente que a opinião do outro, era a mesma que a minha. E aí, meus caros amigos, é que está o problema.
O outro é diferente, poxa. Ele é outro.
Vive pensando outras coisas, tem visões diferentes, sonha coisas que você nem imagina e tem uma opinião sobre você, que de verdade, você mesmo não conhece.

Então porque, eu pergunto, porque achar que essa pessoa vai te dar aquilo que você, e só você acha que é certo?

Ilusão, decepção, enganos.
Quantas das decepções amorosas se dão porque se vive um relacionamento egocêntrico, baseado no que eu acho que é certo, sem pensar que o outro do lado de lá tem outras ideias na cabeça e de repente pode não concordar comigo.

Nós, minha gente, temos que ser felizes porque somos assim, naturalmente.
Porque o outro é parte importante que complementa, que partilha, que dá e recebe sem cobrar a conta no final.

Que nós, em 2013, sejamos mais fiéis conosco, que conheçamos melhor a nós mesmos, que saibamos separar o que é nosso e o que é do outro, para que possamos amar com mais plenitude e mais compaixão.

Que sejamos do time daqueles que fazem os outros felizes, e não o contrário.
Que façamos para os outros somente aquilo que desejamos que seja feito para nós. Afinal, tem lições que de tão simples, se tornam imortais.

Feliz dezembro!


Ouvindo_The Strokes_Alone, Together

sábado, 24 de novembro de 2012

Tudo passa, tudo passa...




Não há quem duvide da certeza de que tudo na vida passa.
Passa a dor, passa a alegria, passa a tristeza e o momento de felicidade. Passa tudo que há de ser e o que já foi, pois a vida é esse eterno transformar-se.

Não vejo graça em permanecer única, indivisível, rígida. Prefiro a flexibilidade de uma boa gargalhada, ou de uma lágrima que corre sincera pelo rosto de alguém que sofre. Prefiro a dignidade do assumir-se fraco, e permitir que o medo englobe o que de mais nobre existe em se proteger.

Prefiro as pessoas bambas, a quem recorro sempre a contar meus sonhos, chorar meus enganos e perceber-me refugiada no abraço da palavra de um amigo à dureza dos braços que envolvem mais não acolhem, dos sorrisos plásticos que não alimentam a alma, da conversa comedida, do pisar em ovos.

Não acho que estamos todos errados, e sim, em pontos distintos de uma geração que padece de calma. Não aquela calma plácida e solitária, mas da calma do silêncio remediador, que fala através do nada.

Estamos todos aí, vivendo em direções tão opostas e tão perdidos. As vezes tão carentes de perdão.
As vezes só precisando de uma mão.

Precisamos do outro, pra perceber em nós a fraqueza de sermos tão pequenos, para espelharmos em nós o que de mais belo encontramos no outro. Pra dividir com todos nossa humanidade em plenitude.

Passa a dor, passa a alegria..tudo passa.
Até mesmo a crônica mambembe e sem graça, recheada de clichês.
Isso tudo pra dizer que tenho me observado no outro, e ele é mais belo do que eu jamais poderia ser, só.



Ouvindo_Saudosismo_Caetano Veloso

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O medo da dor




Na semana passada, na minha sessão de coaching do Jardim do Ser, veio a seguinte questão:
Do que a Luciana tem medo?

Meio relapsa eu respondi de pronto, que não sabia..
Mas venho pensando nisso desde então, e acho que eu cheguei a algumas questões..
Sabe do que eu tenho medo?
De tudo!

É bizarro assumir isso, assim, do nada, mas é isso mesmo..
Ando meio medrosa..amedrontada com o que a vida quer me oferecer de bom, ou de ruim.

Me arrisco até a dizer que, um certo medo de dar certo, me consome.
Sempre acho que isso não é pra mim, que eu não tenho talento, que eu sou meio preguiçosa, que sou meio isso, meio aquilo..

E olha que grande cagada  bobagem!
Ter medo de tanta coisa! E sem nem saber direito do que ..

Começo a perceber que toda essa minha busca em ser alguém, em ter um trabalho que ame, e em fazer algo que goste pode estar amarrada a esse meu medinho tolo, que só me impede.

Minha Coach é sábia!
E devo a ela esse insight..


Pegando o gancho da história do medo..
dia desses resolvi que ia jogar bola, sabe?
Futebol de salão, ou futsal como chamam alguns!
Sempre fui fã de jogar bola, sempre amei futebol e calhou de ter a oportunidade.
Meio sem graça, cheguei na quadra onde estavam as outras meninas, e me apresentei.
Não senti muita firmeza no pessoal..e muito menos em mim, mas fui lá me embrenhar na peleja.

Fiquei no time dos meninos, que entraram pra inteirar o jogo, e claro, me dei mal.
Corria, pulava, pedia a bola..e nada.
Eles só tocavam entre si e eu ficava lá, correndo de um lado pro outro..
Mas, na fatídica hora que a bola veio para os meus pés, só fiz burrada..
toquei errado..depois, joguei pra fora...depois chutei torto..

e finalmente, quando eu ia dominar uma bola na linha de fundo, apoiei meu pé direito de maneira incorreta e girei meu corpo em cima dele. De repente eu não via mais a quadra, eu só senti meus ossos, tendões e tudo que tem dentro, retorcendo em uma forma estranha, senti um estralo e puuff!

Cai no chão, já tirando o tênis e em desespero..
Nunca tinha torcido o pé, logo, nunca tinha sentido aquela dor..
e aí, amigo, não adiantava ter medo, ter cuidado, ter me antecipado..
estava lá eu, sentada no chão, segurando meu pé, com um bando de desconhecidos olhando atônitos a cena.

A professora trouxe gelo..
e eu fiquei lá..só pensando na dor, na dor..na dor..
Fiquei observando meu pé duplicar de tamanho e o jogo que continuava na quadra.
Quando eu finalmente sentei no carro pra ir embora, desabei num choro!
Sabe aquele choro de criança quando machuca?
Aquele choro que alivia?

Chorei largado!
Chorei demais!

Depois foi passando..eu fui me acalmando..
pensando que tudo aquilo era uma bobagem..que eu não devia ter ido sem me preparar..
que eu não estava usando uma chuteira adequada, que eu isso, que eu aquilo..

E sabe do que mais?
O choro sessou, a dor diminuiu, a raiva passou..
Sobrou o pé inchado e eu..
O resultado não do medo, mas da falta de tato.

Da falta de consciência de mim mesma, de me conhecer a ponto de saber que eu não estava pronta pr'aquilo, de saber que eu não iria a voltar a jogar como antes sem treino e sem preparo..
Que ninguém ia me passar a bola, pois não estava escrito na minha cara que eu jogava bem, muito menos diante dos meus passes.

Ou seja, a prepotência em pessoa..
Achando-me a tal, e mal consegui ficar em pé, no primeiro jogo.


Muitas lições aprendidas na queda..
mas a maior talvez seja a de que a dor ensina.
Ensina mais, mais rápido e melhor..


Ouvindo_Chico Buarque_Apesar de você

sábado, 17 de novembro de 2012

Olhar pro passado + Faxina de fim de ano



Ontem chegou aquele dia da faxina de fim de ano.
Abrir armários e gavetas e ir fazendo uma reciclagem de tudo que presta, não presta, do que vai ser doado..
do que vai pro lixo..e abrir espaço pro novo, já como um preparo para o novo ano que está chegando.

Assim, permito que as coisas mudem de lugar e se transformem diante do meu cotidiano, fazendo também que eu veja de outra forma e reconheça que tenho o necessário, o suficiente.

O momento não poderia ser mais oportuno, já que durante a semana tive resgates tão importantes com o meu passado. E fazer limpeza em casa, nada mais é que reencontrar-se a todo instante com o que já foi.

É pertinente porém ter uma trilha sonora acompanhando momentos como esse, de renovação. Falei mais sobre isso no blog O Som Lá de Casa.

Faxinas (de dentro da gente ou de fora) precisam acontecer como um processo lento de readequação de coisas que não cabem mais em determinados lugares.Coisas que precisam ganhar novos espaços, novas utilidades.Sentimentos confusos foram dando espaços a compaixão, perdão, compreensão.
Muitas gavetas cheias de espaço, preenchido com coisas novas e boas. Muitas roupas doadas, muito aprendizado sobre o ter e o precisar.

Fazendo esta reflexão, e abrindo um pouco mais da intimidade a partir daqui, gostaria de compartilhar algo interessante.

No começo da semana, pedi ao Universo que me desse a chance de me reconciliar com uma amiga, que a muito não vejo, e com quem tenho enorme pesar. Infelizmente, as tentativas até então foram em vão, fazendo com que eu me sentisse muito fraca em relação a isso.

Justamente nesta semana, surgiram dois amigos do passado, com quem eu tinha algum tipo de desafeto, mas que guardava ainda registrado em mim, aqueles bons momentos que vivemos, sobrepondo os momentos de menor alegria.
E não preciso dizer que, quando falamos com um verdadeiro amigo, mesmo depois de tanto tempo, é possível desfazer descrenças, rixas, brigas..e tudo virar um grande aprendizado, permanecendo o que de bom havia, deixando para lá as bobagens.

Esta faxina me deixou renovada.
A de casa, quase me matou de cansaço, mas retirou de dentro de casa, coisas que não faziam o menor sentido de estar lá..
A faxina de dentro, com esses dois belos presentes do universo, me deixou iluminada. E mesmo sabendo que ainda existem pessoas com quem não me resolvi, aquelas que reapareceram trouxeram novo ar, para que eu pudesse ter a certeza que tudo se transforma, se renova. Basta abrir a janela, arrastar os móveis do coração, e abrir espaço para tudo de novo entrar.




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O projeto de cuidar da saúde financeira e mental continua..
segue foto do fim de semana - com certeza, melhorando!



Ouvindo_Chico Buarque_Vida

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

de antigamente..



Você bem me conhece
e bem te apetece
saber me assim

descobre como me encontro
e como me desfaço
nas canções que a gente escolhia
e no meu desparato
enquanto te escondia

sabe até
da minha euforia
quando eu quero te contar
que te vi n'algum lugar
ou lembrei de você
e que voltei a sonhar

me conhecendo
assim, saberá sempre me encontrar
nesse mar sem fim
em qualquer lugar.


Ouvindo_O herói, o marginal_Mallu Magalhães

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Tantas coisas

Não era pra ser assim o meu começo de retomada de escrever..
mas nem tudo é como a gente gostaria, e muito menos como a gente previa que ia ser.

Meus primeiros dias de retomada de mudanças estão sendo "motivadores"..
continuo me sentindo fútil em escrever sobre isso no blog, já que eu havia parado de deixar minhas impressões tão pessoais aqui a algum tempo.

Mas acredito que isso seja também um retorno a quem eu realmente sou.


Consigo organizar melhor as idéias e tenho uma noção remota de onde estou, mas isso é só por enquanto.
No meu último texto, falei sobre começar, continuar e terminar e a parte do continuar, continua sendo a mais difícil.

Tenho mil idéias que vão desaparecendo ao longo do dia, e uma falta de força para começar que assusta.
Os blogs todos parados, o fim do ano se aproximando e muito de mim longe do que eu esperava, me dão a sensação que não andei para lado algum durante o ano todo.

Algumas coisas estão seguindo conforme o planejado.
A organização da vida financeira está indo bem.
O fato de estar home office agora, ajuda a não ter necessidades mentirosas e a não ficar tentada a comprar coisas que não preciso.
Parece bobagem, mas quando você sai pra almoçar em lugares cheios de lojas e coisas, é bem provável que você volte do almoço com uma ou duas sacolinhas na mão.

A parte da dieta/emagrecimento/necessidade de perder peso ainda esta em processo de adaptação.
Retomei a academia, e continuo me esforçando nas refeições diárias, mas se tem uma coisa em que eu sinto prazer, essa coisa é o comer bem.
E quem não gosta?


Sigo em frente, com passos pacientes e resignados.
Afinal, se tem uma coisa que eu descobri é que nada que pretende ser modificado para sempre acontece do nada.
As coisas precisam ir se ajeitando a seu tempo, e é essa noção de tempo que eu tenho pensado em modificar.
Foto tirada no ano passado por Luciana Landim


Afinal, se eu mudo, o mundo muda comigo? Certo?




#paciênciaéumavirtude #euprecisoparardeusarhashtags #ondeforamtodososleitores


Ouvindo_The Microscopic Septet - Lobster Leaps In

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Começar..continuar e terminar




Dizem que o mais difícil é começar..
Ahh depois que você der o primeiro passo, pronto..o resto se encaminha.

Não, não é bem assim..
Pelo menos, não para mim.

Não é a toa que a pessoa tem 5 blogs e todos eles estão jogados as traças..
Minha mania antiga de abandonar uma coisa recém começada por outra e não terminar nenhuma.

Sim, é um problema..
Mas não vou me auto flagelar..é um problema, e há de ter solução.

Por isso estou aqui escrevendo..
Pra voltar a praticar o que eu mais gosto de fazer, ou o que, no meio de tudo que eu já comecei e não terminei, sempre fica.

Mas, neste processo de entender o que acontece comigo, surgiram várias coisas escondidas.
Coisas como a minha ansiedade, minha impaciência que me atrapalham em muito a concluir minhas tarefas e os projetos que inicio. E me atrapalham ainda mais a entender o que eu realmente quero, enquanto pessoa e enquanto profissional.

Comecei um processo, meio silencioso sobre três coisas que me incomodam.
O primeiro, a vida financeira. Um fiasco!

Não, eu não ganho rios de dinheiro, mas também não sou uma paupérrima.
O dinheiro que ganho deveria ser suficiente. Mas não era.
Daí, visitando uma Expo Money aqui, assistindo a algumas palestras acolá e vendo algumas coisas na internet, percebi que poderia arrumar minha saúde financeira.

A segunda coisa é a minha saúde física.
Engordei, emagreci, fiz dieta, academia, engordei e emagreci de novo.
Aquela velha história. O fato é que estou acima do meu peso e bem, eu tenho condições físicas de manter uma boa alimentação e um corpo saudável.Mas não é o que está acontecendo.
Logo, fui me informar um pouco mais e descobri que também é possível ter um corpo bonito, e magro.


A terceira e última coisa, é a minha impaciência.
É ela que origina todos os meus problemas primários comigo mesma.
Desde a conta bancária até o número que aparece na balança.
E é com ela que eu pretendo me colocar frente a frente para poder ter uma caminhada mais tranquila.

Mas é aqui que está..
Onde encontrar paciência, calma e serenidade para fazer as coisas acontecerem a seu tempo, enquanto tudo urge, enquanto o cotidiano chama, enquanto a tela do skype pisca?
Onde encontrar o tempo para ver que tudo deve acontecer a contento..com calma, em ganhos espaçados, em aprendizados verdadeiros.

É nessa busca que eu entro, afim de encontrar a paciência e uma vida saudável física e financeira.


Vou tentar colocar uma foto por dia e contar o que estou conseguindo.

#umafotopordia #começareterminar #eumedesafio

Ouvindo_The Microscopic Septet_ Lobster Leaps In

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Reunião, pra que?




O mundo necessita de reuniões. Reuniões corporativas elementares, conferências, reuniões familiares, reuniões de projeto, reuniões de alinhamento de ideias, reuniões e mais reuniões que na maioria das vezes desperdiçam nosso tempo de tal maneira, que ficamos estáticos e não temos coragem de dar um basta na situação. Coloco-me em reuniões assim quase sempre.

E entre um ideia ou outra que será desprezada mais cedo ou mais tarde, ouço alegorias, exemplos, metáforas e casos que na verdade, ninguém dá a mínima. Lembro-me de um lugar onde trabalhei que na maior parte das reuniões que participava com os chefões, eram de um tédio sem tamanho. Para dar um exemplo do que estou dizendo, rolavam uns silêncios nada contemplativos onde ninguém dizia nada, e assim se ficava, até alguém de maior calibre hierárquico dizer o famoso “Então é isso pessoal” e depois saíamos todos desatinados cada um para sua sala.


 Não concordo com essas reuniões intermináveis. Mais parece que a maior parte das empresas acha que isso é plausível e saudável. Tentei aplicar com um chefe que tive o método sintático de reuniões onde só trazia à tona as questões mais importantes e urgentes. Ele passou a achar que eu não fazia nada. Questionou meu desempenho e colocou em cheque meu trabalho. Mudei a estratégia, coloquei todos os mínimos detalhes das minhas tarefas, excruciei todo o meu trabalho, gastei um baita tempo e ele não se interessou.


Na verdade, ele queria saber de sentar comigo durante aqueles minutos e discutirmos coisas palpáveis e nada palatáveis. Ao contrário do que se imagina, eu saia de lá desmotivada, cheia de vontade de mandar o cara ir pra algum lugar desagradável e frustrava todo o meu trabalho executado. Imagino que existam empresas que resolvam de maneira fluida a questão da reunião. Mas depois de duas horas de falatório contínuo duvido que todo mundo esteja super interessado no tema.


 É um pouco rebelde essa minha opinião, mas toda vez que me preparo para uma reunião demorada, penso que aquele tempo ali desprendido poderia ser utilizado em algo mais produtivo, mas útil. E não há saída senão sentar e ouvir, as digressões de pessoas que querem falar a exaustão. Os famosos interlocutores inveterados.

Não duvido que existam reuniões necessárias e importantes, mas palestras sem fim sobre coisas que não podem ser mudadas de uma hora pra outra, ou relatórios sem importância que só servem para sermos avaliados negativamente realmente não me motivam.


 E você, gosta de reuniões??

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Afinal, o que queremos?



A pergunta é vaga, mas está cheia de significado. O que nós queremos? Mesmo? De verdade?
A resposta talvez, seja mais vaga ainda, e ainda assim tão cheia de significado.
Queremos muitas coisas, como conforto, paz, alegria, um bom relacionamento, um emprego que nos dê prazer e dinheiro, algo que nos alimente a alma, como música, filmes, esportes, queremos as pessoas queridas por perto e uma série de outras coisas.
Mas acho que devemos avaliar a todo instante essa pergunta, usando-a mais como um termômetro vital e não como algo concreto.
Quer ver só? Se pergunte aí..estou no emprego que quero? Não, não é no que posso, ou no que devo, ou no que preciso. A pergunta é clara: Estou no emprego que QUERO? Estou fazendo o que desejo, da maneira como eu desejo e como eu desejo?
Tenho certeza que a resposta da maioria das pessoas, para alguma coisa na vida delas é não.
E sem crise, numa boa. As vezes você está esperando aquela oportunidade que você acha que vai ter, ou aquilo tudo que vai se concretizar depois que você terminar a pós, a faculdade, ou o doutorado. Ou quando você estiver mais velho, ou depois que se casar.. não importa.
Mas pergunte-se se, agora, agorinha mesmo você está fazendo o que realmente quer.  
Estou em um relacionamento saudável, fazendo o que eu quero fazer? E deixando o outro ser livre pra fazer o que quer? Estou me divertindo como eu gostaria, ou continuo seguindo a massa, passando na vida, sem saber o que querer? Quantas oportunidades eu estou deixando passar, porque continuo vivendo do mesmo jeito e aceitando as mesmas coisas, porque acho que não tem saída, não tem solução?
A resposta é a reflexão.. e a reflexão por si só, leva ao caminho..
Agora o que não dá é a contínua reclamação, sem ação.
O reclamar por reclamar enjoa, fica chato e não leva ninguém a nada. Chega de gente que só faz o que não quer. Na boa, não dá. Você cede aqui, ali, acolá...mas em tudo, minha buona gente..não dá!
Porque quando a gente faz o que quer, o olho brilha, a vontade aumenta, a determinação esquenta, a vontade floresce. Me pergunto sobre isso do querer, todos os dias. Em convites que aceito, ou que recuso. Em coisas que vou e que não vou. Em situações que me exigem cada vez mais que eu seja sincera para comigo e para com os outros.
Sofri muito achando que estava tentando agradar, enquanto na verdade era só meu ego me distraindo do meu verdadeiro objetivo. Eu não fazia o que queria e ainda me vangloriava por isso. E bem, dei com algumas dúzias de “burros n’água”.
O que queremos está mais próximo do nosso alcance do que imaginamos e talvez é mais simples do que acreditamos.

Se não sabemos o que queremos, talvez começar pelo que não queremos seja um inicio pra repensar nossas escolhas. Ou talvez, abrir mão de alguns convites, aceitar outros, fazer aquela escolha que você sempre acha que é certa, mais que nunca faz.

O que queremos mesmo, todos nós, eu não sei ao certo. Sei que queremos algo que vibra dentro da gente, enquanto a vida passa, enquanto as pessoas mudam, enquanto fazemos o que não queremos.

Afinal, o que é mesmo que você quer? 



terça-feira, 12 de junho de 2012

Namorar pra que?




a gente namora, pra que?
namora pra se achar no outro, pra inventar mentiras
sobre o que a gente gostaria de ser
pra namorar a gente mesmo
pra sonhar o que é que vai ser

a gente namora mesmo..
pra dar certo..


e namorando a gente briga
a gente cansa, a gente casa..
namorando a gente se atrasa
pra aula, pro trabalho e pro inglês
a gente até vira freguês de padaria
pra comprar pão e ficar na fila
pro namorado e pra namorada comerem bem

namorar..e deixar-se ser sem sentir
sem cobrar..
namorar pra amar..que é importante
e porque talvez em outro instante
a gente se descuide de sentir saudade

e se case

casando a gente
namora maneiro..
preguiçoso, trapaceiro

vamos viver..
e vivendo vamos brigar
e vai ter poesia
e também noite sem luar..

porque o namoro é só a janela
do que te espera
lá longe,
depois do altar, da rosa
do calor da brasa

se namorar é prata,
casar é ouro..
só não vale falar do meu
imenso tesouro..
esse tanto que a gente
chama de Amor..



texto pro meu companheiro e amigo e namorado e marido ..Danyllo


Ouvindo_George Michael_Faith

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Dessas daí..

Eu queria ser dessas, que não se afligem com nada,
que estão sempre na moda
no salto alto, em pleno asfalto



queria ser dessas que não perdem a linha
que não sabem o que fazer na cozinha
nem o que significa ter roupa pra lavar

queria ser como a moça na foto fingida
tratada com filtro vintage no perfil
que escolhe a boca e se faz de loca
pra parecer normal e febril

e quantas viagens e festinhas
amigos chiques e presilhas
de um cabelo que está sempre no lugar


queria ser dessas discretas,
amáveis e soberanas
que com os homens são verdadeiras tiranas
e que escolhem pelo carro
seu lindo namorado

dessas que andam por aí, soltas e lindas como bem-te-vi
e que parecem nunca se preocupar,
assumo minha inveja mundana, imprópria e banana

mas da minha loucura, desalinho e doidivanas
não abro mão..
não, não









Ouvindo_Here, There and Everywhere_The Beatles

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Nada demais



Não me acho calma,
me acho despreparada, medrosa
por isso me calo,
às vezes me entristeço

não me acho santa,
me acho preconceituosa
mesquinha, febril..

não me acho bela,
me acho boba, infantil
as vezes séria
sagaz,
interrompida

me acho,
enquanto avalio o que de mim não conheço
me acho menos, quando o que mais tenho é
sincero e verdadeiro
me acho sempre,
algo além, nada demais.

Ouvindo_Nada Além_Zeca Baleiro

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Parar

Texto SENSACIONAL do meu querido amigo, meu bro..Ivens Sollohandd
ENJOY! 




Tentei parar por um dia.
Um dia é muito tempo. Há tantas coisas acontecendo. Como irei parar? O mundo irá continuar enquanto eu paro. Depois como irei entrar novamente no ritmo? Em um dia muita coisa pode acontecer. Não posso me dar ao luxo de simplesmente parar. Quem sou eu para isso? Se parar por um dia, com certeza ninguém.

Tentei parar por uma hora.
Uma hora é muito tempo. Há tantas coisas acontecendo. Com irei parar? O mundo será um outro daqui uma hora. O esforço para me concentrar novamente depois é muito grande. Em uma hora muita coisa pode acontecer. Um incêndio. Uma guerra. Uma crise econômica. Milhões de pessoas irão fazer sexo nesta uma hora, e o que ganharão? Nada! Milhões em dinheiro serão gastos e ganhos neste tempo e eu não irei ganhar nenhum centavo se parar! Então, não irei parar!

Tentei parar por um minuto.
Um minuto é pouco tempo. Quase nada acontece em um minuto. O que posso mudar em um minuto. NADA! Então para que irei parar? Para perder um minuto? Estou com tantos minutos sobrando assim para simplesmente me livrar de um sem causa aparente? Se fosse assim pararia por uma hora. Não, não! Pararia por um mês! Bem que estou precisando parar por um mês. Simplesmente não dá!

Em apenas um segundo parei... para sempre. Foi tempo mais do que suficiente para isso.


terça-feira, 8 de maio de 2012

A cena




Ela levantou-se para ir ao banheiro. Olhando aquele cara, que ela sempre olhava todas as vezes que se levantava de sua mesa. Aquele cara que tinha nome e que tinha uma coisa, um sei lá o que diferente que mexia com ela, que a intrigava. Tinha algo interessante que pairava no ar, enquanto ele estava perto, e ela mal conseguia disfarçar seu constrangimento.

E assim que ela se levantou, não quis ver que os olhos dele, corriam de encontro ao dela.Talvez porque ele também havia percebido, talvez porque aquele dia ele estava distraído.
Mas ao caminhar, no primeiro centimetro do seu passo, ela sentiu aquela urgência, um frio na espinha, um quê que só dá em quem endoidece, em cena de filme clichê. Sentiu aquela necessidade de fazer algo, de não sei, de falar com ele, chamar pra um café..uma vontade de tocar-lhe o braço e dizer como ele estava bonito. E sem perceber, seus pés mudaram o caminho, e viravam-se para ele, o tal cara interessante. 

E caminhando até lá, não pensava senão no minuto, na vida, e nas coisas que tinha deixado pra trás, e dos momentos que havia perdido, por ter pensado demais, e caminhando assim, chegou até o cara, que a  essa altura a olhava espantado, um tanto curioso.

Aquilo, não era um ato de sedução, não era um coisa desesperada, muito menos de gente drogada, aquilo foi o momento que se mostrou e que pra ela deixou claro como a vida é boba e como a gente se leva a sério. Sem falar nada, abaixou-se com delicadeza, e beijou-lhe a face, mesmo sem saber porque exatamente estava fazendo aquilo.
Beijou-o demoradamente, e enquanto beijava, sua mão sozinha escorregava pelo rosto dele, que ainda olhava pra ela sem entender nada.

Sentiu nas pontas dos dedos a pele, e o cheiro dele subiu até a ponta do seu nariz.Foi sentindo as nuances de seu rosto pequeno, a fineza da sua sombrancelha e quando menos percebeu sua boca havia encostado na dele suavemente, sem mistérios, sem tramas imaginativas, sem música e sem clarão.

E aí, o olho do cara deixou de olhar espantado, entendeu o singelo recado e agora, participava daquela cena estranha e cheia de vida. 
Era um beijo pra salvar o momento, pra salvar a solidão, pra salvar o desamor, pra salvar as pessoas da masmorra da rotina..


E se era só um beijo cheio de carinho, expectativa, ou até mesmo de tesão por conta da iniciativa, o que ficou ao final foi somente a cena daquele beijo realizado, sacramentado, entendido. 


Foi o que ela pensou enquanto ia ao banheiro, imaginando-se louca por pensar numa coisa dessas, num dia tão frio e tão sem graça..diante de tanta tralha, de tanta coisa pegando traça, ao sair da sua cadeira de balanço enquanto velha e sozinha, espreitava o anoitecer.



Ouvindo_Zeca Baleiro_Felicidade pode ser qualquer coisa

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Não basta




As vezes nada me basta
e a saudade me arranha as entranhas

quando olho saudosista o passado
e ele me engole
e eu me vejo lá..
sendo feliz onde depois eu já não era..

e aí, sinto saudades de mim..
e sinto saudades da minha risada
e do tempo alegre
onde as coisas urgiam
e quando os coração brincavam

sinto saudades do cheiro da rua
ou do travesseiro companheiro da solidão

sinto saudades da liquidez das amizades
e das vezes que eu mais fazia sorrir
do que chorar

de quando ríamos juntos..
e de quando calava minha alma
como se o mundo fosse me fazer parar..

hoje estou saudosa..
da simplicidade da vida..
da poeira dos meus rabiscos
e da falta que eu faço pra mim mesma..

as vezes..
o nada..
não basta



Ouvindo_Eu te amo_Chico Buarque