quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Tantas coisas

Não era pra ser assim o meu começo de retomada de escrever..
mas nem tudo é como a gente gostaria, e muito menos como a gente previa que ia ser.

Meus primeiros dias de retomada de mudanças estão sendo "motivadores"..
continuo me sentindo fútil em escrever sobre isso no blog, já que eu havia parado de deixar minhas impressões tão pessoais aqui a algum tempo.

Mas acredito que isso seja também um retorno a quem eu realmente sou.


Consigo organizar melhor as idéias e tenho uma noção remota de onde estou, mas isso é só por enquanto.
No meu último texto, falei sobre começar, continuar e terminar e a parte do continuar, continua sendo a mais difícil.

Tenho mil idéias que vão desaparecendo ao longo do dia, e uma falta de força para começar que assusta.
Os blogs todos parados, o fim do ano se aproximando e muito de mim longe do que eu esperava, me dão a sensação que não andei para lado algum durante o ano todo.

Algumas coisas estão seguindo conforme o planejado.
A organização da vida financeira está indo bem.
O fato de estar home office agora, ajuda a não ter necessidades mentirosas e a não ficar tentada a comprar coisas que não preciso.
Parece bobagem, mas quando você sai pra almoçar em lugares cheios de lojas e coisas, é bem provável que você volte do almoço com uma ou duas sacolinhas na mão.

A parte da dieta/emagrecimento/necessidade de perder peso ainda esta em processo de adaptação.
Retomei a academia, e continuo me esforçando nas refeições diárias, mas se tem uma coisa em que eu sinto prazer, essa coisa é o comer bem.
E quem não gosta?


Sigo em frente, com passos pacientes e resignados.
Afinal, se tem uma coisa que eu descobri é que nada que pretende ser modificado para sempre acontece do nada.
As coisas precisam ir se ajeitando a seu tempo, e é essa noção de tempo que eu tenho pensado em modificar.
Foto tirada no ano passado por Luciana Landim


Afinal, se eu mudo, o mundo muda comigo? Certo?




#paciênciaéumavirtude #euprecisoparardeusarhashtags #ondeforamtodososleitores


Ouvindo_The Microscopic Septet - Lobster Leaps In

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Começar..continuar e terminar




Dizem que o mais difícil é começar..
Ahh depois que você der o primeiro passo, pronto..o resto se encaminha.

Não, não é bem assim..
Pelo menos, não para mim.

Não é a toa que a pessoa tem 5 blogs e todos eles estão jogados as traças..
Minha mania antiga de abandonar uma coisa recém começada por outra e não terminar nenhuma.

Sim, é um problema..
Mas não vou me auto flagelar..é um problema, e há de ter solução.

Por isso estou aqui escrevendo..
Pra voltar a praticar o que eu mais gosto de fazer, ou o que, no meio de tudo que eu já comecei e não terminei, sempre fica.

Mas, neste processo de entender o que acontece comigo, surgiram várias coisas escondidas.
Coisas como a minha ansiedade, minha impaciência que me atrapalham em muito a concluir minhas tarefas e os projetos que inicio. E me atrapalham ainda mais a entender o que eu realmente quero, enquanto pessoa e enquanto profissional.

Comecei um processo, meio silencioso sobre três coisas que me incomodam.
O primeiro, a vida financeira. Um fiasco!

Não, eu não ganho rios de dinheiro, mas também não sou uma paupérrima.
O dinheiro que ganho deveria ser suficiente. Mas não era.
Daí, visitando uma Expo Money aqui, assistindo a algumas palestras acolá e vendo algumas coisas na internet, percebi que poderia arrumar minha saúde financeira.

A segunda coisa é a minha saúde física.
Engordei, emagreci, fiz dieta, academia, engordei e emagreci de novo.
Aquela velha história. O fato é que estou acima do meu peso e bem, eu tenho condições físicas de manter uma boa alimentação e um corpo saudável.Mas não é o que está acontecendo.
Logo, fui me informar um pouco mais e descobri que também é possível ter um corpo bonito, e magro.


A terceira e última coisa, é a minha impaciência.
É ela que origina todos os meus problemas primários comigo mesma.
Desde a conta bancária até o número que aparece na balança.
E é com ela que eu pretendo me colocar frente a frente para poder ter uma caminhada mais tranquila.

Mas é aqui que está..
Onde encontrar paciência, calma e serenidade para fazer as coisas acontecerem a seu tempo, enquanto tudo urge, enquanto o cotidiano chama, enquanto a tela do skype pisca?
Onde encontrar o tempo para ver que tudo deve acontecer a contento..com calma, em ganhos espaçados, em aprendizados verdadeiros.

É nessa busca que eu entro, afim de encontrar a paciência e uma vida saudável física e financeira.


Vou tentar colocar uma foto por dia e contar o que estou conseguindo.

#umafotopordia #começareterminar #eumedesafio

Ouvindo_The Microscopic Septet_ Lobster Leaps In

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Reunião, pra que?




O mundo necessita de reuniões. Reuniões corporativas elementares, conferências, reuniões familiares, reuniões de projeto, reuniões de alinhamento de ideias, reuniões e mais reuniões que na maioria das vezes desperdiçam nosso tempo de tal maneira, que ficamos estáticos e não temos coragem de dar um basta na situação. Coloco-me em reuniões assim quase sempre.

E entre um ideia ou outra que será desprezada mais cedo ou mais tarde, ouço alegorias, exemplos, metáforas e casos que na verdade, ninguém dá a mínima. Lembro-me de um lugar onde trabalhei que na maior parte das reuniões que participava com os chefões, eram de um tédio sem tamanho. Para dar um exemplo do que estou dizendo, rolavam uns silêncios nada contemplativos onde ninguém dizia nada, e assim se ficava, até alguém de maior calibre hierárquico dizer o famoso “Então é isso pessoal” e depois saíamos todos desatinados cada um para sua sala.


 Não concordo com essas reuniões intermináveis. Mais parece que a maior parte das empresas acha que isso é plausível e saudável. Tentei aplicar com um chefe que tive o método sintático de reuniões onde só trazia à tona as questões mais importantes e urgentes. Ele passou a achar que eu não fazia nada. Questionou meu desempenho e colocou em cheque meu trabalho. Mudei a estratégia, coloquei todos os mínimos detalhes das minhas tarefas, excruciei todo o meu trabalho, gastei um baita tempo e ele não se interessou.


Na verdade, ele queria saber de sentar comigo durante aqueles minutos e discutirmos coisas palpáveis e nada palatáveis. Ao contrário do que se imagina, eu saia de lá desmotivada, cheia de vontade de mandar o cara ir pra algum lugar desagradável e frustrava todo o meu trabalho executado. Imagino que existam empresas que resolvam de maneira fluida a questão da reunião. Mas depois de duas horas de falatório contínuo duvido que todo mundo esteja super interessado no tema.


 É um pouco rebelde essa minha opinião, mas toda vez que me preparo para uma reunião demorada, penso que aquele tempo ali desprendido poderia ser utilizado em algo mais produtivo, mas útil. E não há saída senão sentar e ouvir, as digressões de pessoas que querem falar a exaustão. Os famosos interlocutores inveterados.

Não duvido que existam reuniões necessárias e importantes, mas palestras sem fim sobre coisas que não podem ser mudadas de uma hora pra outra, ou relatórios sem importância que só servem para sermos avaliados negativamente realmente não me motivam.


 E você, gosta de reuniões??

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Afinal, o que queremos?



A pergunta é vaga, mas está cheia de significado. O que nós queremos? Mesmo? De verdade?
A resposta talvez, seja mais vaga ainda, e ainda assim tão cheia de significado.
Queremos muitas coisas, como conforto, paz, alegria, um bom relacionamento, um emprego que nos dê prazer e dinheiro, algo que nos alimente a alma, como música, filmes, esportes, queremos as pessoas queridas por perto e uma série de outras coisas.
Mas acho que devemos avaliar a todo instante essa pergunta, usando-a mais como um termômetro vital e não como algo concreto.
Quer ver só? Se pergunte aí..estou no emprego que quero? Não, não é no que posso, ou no que devo, ou no que preciso. A pergunta é clara: Estou no emprego que QUERO? Estou fazendo o que desejo, da maneira como eu desejo e como eu desejo?
Tenho certeza que a resposta da maioria das pessoas, para alguma coisa na vida delas é não.
E sem crise, numa boa. As vezes você está esperando aquela oportunidade que você acha que vai ter, ou aquilo tudo que vai se concretizar depois que você terminar a pós, a faculdade, ou o doutorado. Ou quando você estiver mais velho, ou depois que se casar.. não importa.
Mas pergunte-se se, agora, agorinha mesmo você está fazendo o que realmente quer.  
Estou em um relacionamento saudável, fazendo o que eu quero fazer? E deixando o outro ser livre pra fazer o que quer? Estou me divertindo como eu gostaria, ou continuo seguindo a massa, passando na vida, sem saber o que querer? Quantas oportunidades eu estou deixando passar, porque continuo vivendo do mesmo jeito e aceitando as mesmas coisas, porque acho que não tem saída, não tem solução?
A resposta é a reflexão.. e a reflexão por si só, leva ao caminho..
Agora o que não dá é a contínua reclamação, sem ação.
O reclamar por reclamar enjoa, fica chato e não leva ninguém a nada. Chega de gente que só faz o que não quer. Na boa, não dá. Você cede aqui, ali, acolá...mas em tudo, minha buona gente..não dá!
Porque quando a gente faz o que quer, o olho brilha, a vontade aumenta, a determinação esquenta, a vontade floresce. Me pergunto sobre isso do querer, todos os dias. Em convites que aceito, ou que recuso. Em coisas que vou e que não vou. Em situações que me exigem cada vez mais que eu seja sincera para comigo e para com os outros.
Sofri muito achando que estava tentando agradar, enquanto na verdade era só meu ego me distraindo do meu verdadeiro objetivo. Eu não fazia o que queria e ainda me vangloriava por isso. E bem, dei com algumas dúzias de “burros n’água”.
O que queremos está mais próximo do nosso alcance do que imaginamos e talvez é mais simples do que acreditamos.

Se não sabemos o que queremos, talvez começar pelo que não queremos seja um inicio pra repensar nossas escolhas. Ou talvez, abrir mão de alguns convites, aceitar outros, fazer aquela escolha que você sempre acha que é certa, mais que nunca faz.

O que queremos mesmo, todos nós, eu não sei ao certo. Sei que queremos algo que vibra dentro da gente, enquanto a vida passa, enquanto as pessoas mudam, enquanto fazemos o que não queremos.

Afinal, o que é mesmo que você quer? 



terça-feira, 12 de junho de 2012

Namorar pra que?




a gente namora, pra que?
namora pra se achar no outro, pra inventar mentiras
sobre o que a gente gostaria de ser
pra namorar a gente mesmo
pra sonhar o que é que vai ser

a gente namora mesmo..
pra dar certo..


e namorando a gente briga
a gente cansa, a gente casa..
namorando a gente se atrasa
pra aula, pro trabalho e pro inglês
a gente até vira freguês de padaria
pra comprar pão e ficar na fila
pro namorado e pra namorada comerem bem

namorar..e deixar-se ser sem sentir
sem cobrar..
namorar pra amar..que é importante
e porque talvez em outro instante
a gente se descuide de sentir saudade

e se case

casando a gente
namora maneiro..
preguiçoso, trapaceiro

vamos viver..
e vivendo vamos brigar
e vai ter poesia
e também noite sem luar..

porque o namoro é só a janela
do que te espera
lá longe,
depois do altar, da rosa
do calor da brasa

se namorar é prata,
casar é ouro..
só não vale falar do meu
imenso tesouro..
esse tanto que a gente
chama de Amor..



texto pro meu companheiro e amigo e namorado e marido ..Danyllo


Ouvindo_George Michael_Faith

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Dessas daí..

Eu queria ser dessas, que não se afligem com nada,
que estão sempre na moda
no salto alto, em pleno asfalto



queria ser dessas que não perdem a linha
que não sabem o que fazer na cozinha
nem o que significa ter roupa pra lavar

queria ser como a moça na foto fingida
tratada com filtro vintage no perfil
que escolhe a boca e se faz de loca
pra parecer normal e febril

e quantas viagens e festinhas
amigos chiques e presilhas
de um cabelo que está sempre no lugar


queria ser dessas discretas,
amáveis e soberanas
que com os homens são verdadeiras tiranas
e que escolhem pelo carro
seu lindo namorado

dessas que andam por aí, soltas e lindas como bem-te-vi
e que parecem nunca se preocupar,
assumo minha inveja mundana, imprópria e banana

mas da minha loucura, desalinho e doidivanas
não abro mão..
não, não









Ouvindo_Here, There and Everywhere_The Beatles

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Nada demais



Não me acho calma,
me acho despreparada, medrosa
por isso me calo,
às vezes me entristeço

não me acho santa,
me acho preconceituosa
mesquinha, febril..

não me acho bela,
me acho boba, infantil
as vezes séria
sagaz,
interrompida

me acho,
enquanto avalio o que de mim não conheço
me acho menos, quando o que mais tenho é
sincero e verdadeiro
me acho sempre,
algo além, nada demais.

Ouvindo_Nada Além_Zeca Baleiro

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Parar

Texto SENSACIONAL do meu querido amigo, meu bro..Ivens Sollohandd
ENJOY! 




Tentei parar por um dia.
Um dia é muito tempo. Há tantas coisas acontecendo. Como irei parar? O mundo irá continuar enquanto eu paro. Depois como irei entrar novamente no ritmo? Em um dia muita coisa pode acontecer. Não posso me dar ao luxo de simplesmente parar. Quem sou eu para isso? Se parar por um dia, com certeza ninguém.

Tentei parar por uma hora.
Uma hora é muito tempo. Há tantas coisas acontecendo. Com irei parar? O mundo será um outro daqui uma hora. O esforço para me concentrar novamente depois é muito grande. Em uma hora muita coisa pode acontecer. Um incêndio. Uma guerra. Uma crise econômica. Milhões de pessoas irão fazer sexo nesta uma hora, e o que ganharão? Nada! Milhões em dinheiro serão gastos e ganhos neste tempo e eu não irei ganhar nenhum centavo se parar! Então, não irei parar!

Tentei parar por um minuto.
Um minuto é pouco tempo. Quase nada acontece em um minuto. O que posso mudar em um minuto. NADA! Então para que irei parar? Para perder um minuto? Estou com tantos minutos sobrando assim para simplesmente me livrar de um sem causa aparente? Se fosse assim pararia por uma hora. Não, não! Pararia por um mês! Bem que estou precisando parar por um mês. Simplesmente não dá!

Em apenas um segundo parei... para sempre. Foi tempo mais do que suficiente para isso.


terça-feira, 8 de maio de 2012

A cena




Ela levantou-se para ir ao banheiro. Olhando aquele cara, que ela sempre olhava todas as vezes que se levantava de sua mesa. Aquele cara que tinha nome e que tinha uma coisa, um sei lá o que diferente que mexia com ela, que a intrigava. Tinha algo interessante que pairava no ar, enquanto ele estava perto, e ela mal conseguia disfarçar seu constrangimento.

E assim que ela se levantou, não quis ver que os olhos dele, corriam de encontro ao dela.Talvez porque ele também havia percebido, talvez porque aquele dia ele estava distraído.
Mas ao caminhar, no primeiro centimetro do seu passo, ela sentiu aquela urgência, um frio na espinha, um quê que só dá em quem endoidece, em cena de filme clichê. Sentiu aquela necessidade de fazer algo, de não sei, de falar com ele, chamar pra um café..uma vontade de tocar-lhe o braço e dizer como ele estava bonito. E sem perceber, seus pés mudaram o caminho, e viravam-se para ele, o tal cara interessante. 

E caminhando até lá, não pensava senão no minuto, na vida, e nas coisas que tinha deixado pra trás, e dos momentos que havia perdido, por ter pensado demais, e caminhando assim, chegou até o cara, que a  essa altura a olhava espantado, um tanto curioso.

Aquilo, não era um ato de sedução, não era um coisa desesperada, muito menos de gente drogada, aquilo foi o momento que se mostrou e que pra ela deixou claro como a vida é boba e como a gente se leva a sério. Sem falar nada, abaixou-se com delicadeza, e beijou-lhe a face, mesmo sem saber porque exatamente estava fazendo aquilo.
Beijou-o demoradamente, e enquanto beijava, sua mão sozinha escorregava pelo rosto dele, que ainda olhava pra ela sem entender nada.

Sentiu nas pontas dos dedos a pele, e o cheiro dele subiu até a ponta do seu nariz.Foi sentindo as nuances de seu rosto pequeno, a fineza da sua sombrancelha e quando menos percebeu sua boca havia encostado na dele suavemente, sem mistérios, sem tramas imaginativas, sem música e sem clarão.

E aí, o olho do cara deixou de olhar espantado, entendeu o singelo recado e agora, participava daquela cena estranha e cheia de vida. 
Era um beijo pra salvar o momento, pra salvar a solidão, pra salvar o desamor, pra salvar as pessoas da masmorra da rotina..


E se era só um beijo cheio de carinho, expectativa, ou até mesmo de tesão por conta da iniciativa, o que ficou ao final foi somente a cena daquele beijo realizado, sacramentado, entendido. 


Foi o que ela pensou enquanto ia ao banheiro, imaginando-se louca por pensar numa coisa dessas, num dia tão frio e tão sem graça..diante de tanta tralha, de tanta coisa pegando traça, ao sair da sua cadeira de balanço enquanto velha e sozinha, espreitava o anoitecer.



Ouvindo_Zeca Baleiro_Felicidade pode ser qualquer coisa

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Não basta




As vezes nada me basta
e a saudade me arranha as entranhas

quando olho saudosista o passado
e ele me engole
e eu me vejo lá..
sendo feliz onde depois eu já não era..

e aí, sinto saudades de mim..
e sinto saudades da minha risada
e do tempo alegre
onde as coisas urgiam
e quando os coração brincavam

sinto saudades do cheiro da rua
ou do travesseiro companheiro da solidão

sinto saudades da liquidez das amizades
e das vezes que eu mais fazia sorrir
do que chorar

de quando ríamos juntos..
e de quando calava minha alma
como se o mundo fosse me fazer parar..

hoje estou saudosa..
da simplicidade da vida..
da poeira dos meus rabiscos
e da falta que eu faço pra mim mesma..

as vezes..
o nada..
não basta



Ouvindo_Eu te amo_Chico Buarque

domingo, 22 de abril de 2012

mudar..





Então, começa a mudança..
você muda aqui, muda acolá.
arrasta coisas que estavam no mesmo lugar havia tempo..
tira pó de livros e revistas, encontra coisas que escreveu sobre si mesma..

vai se perdendo na bagunça..
que faz mais parte de você do que você imagina..

projetos interminados
textos inacabados..
fotos e retratos que guardam um sorriso
que já não existe mais

tudo junto
como numa grande festa natalina
como num reveillon de emoções que acontecem
sem que ninguém perceba

você revê tudo, de uma nova perspectiva
e por mais que negue
sente um tanto de melancolia
por abandonar o lugar onde está

enquanto empacotava meus livros
ia me revendo em cada fase
da minha vida
em cada letra de música
em cada canção cantada
em cada vinil preservado

é como morrer e nascer de novo
é como renascer de algo que não existe
é como o fim pra recomeçar

mudanças me trazem esses sentimento febris
tenho medo
tenho insônia
tenho pavor

as coisas que saem do seu lugar
parecem contar mais coisas
do que aquilo que não foi dito

e assim mudamos...


de endereço, de vida
de esperança..

vivemos...
preservando o impreservável....



Ouvindo_All My Days_Alexi Murdoch


quarta-feira, 18 de abril de 2012

A grama do vizinho


 
Espiã de outros alguéns que não me cabem, sempre acabo me perdendo nas histórias dos outros, em outros contos, intrigas, fadigas. Fato é que, todo mundo uma hora ou outra acha que a grama do vizinho tá mais verde...ou em outras palavras, a gente sempre acha que o outro é de alguma forma muito mais feliz do que a gente.

Bem, eu poderia falar aqui, de relacionamento, profissão, intelecto ou qualquer coisa dessa, que valha, mas prefiro ater-me ao seguinte: "estamos sempre satisfatoriamente insatisfeitos".
Ou seja, estamos sempre olhando por cima do muro, porque além de invejosos, somos também preocupados..
Mas preocupados com o que??






Preocupados com nossa imagem, oras..
Com aquilo que nos torna únicos ou especiais..
Aquilo que nos eleva diante dessa sociedade que anda tão desregrada.

Mas aí, espiamos, e do outro lado vemos as maravilhas de ser o outro.
Imaginamos o mundo de belezas e luxos que eles tem acesso e praguejamos sobre a nossa vida tão sofrida.
O problema é que o feliz perfeito vizinho, do outro lado, faz o mesmo..

Se um é mais rico, o outro reclama que é muito pobre..
se um tem um casamento aparentemente feliz o outro reclama da sua solidão..e por aí vai..

Mas, não acho que seja de todo o mal desejarmos o outro, naquilo que ele tem de melhor.
Afinal, é parte disso que nos move a conquistar nossas coisas, adquirir novos valores, mudar de casa, de emprego e de relacionamento..

Quer dizer, olhando pro outro eu apenas estou vendo aquela versão hollywoodiana de mim mesmo.E até aí, tudo bem! Na verdade, nós só estamos querendo ver como seriamos se estivessemos ali, se tivessemos feito aquelas escolhas..


E voltando a analogia que dá nome a este texto, concluo que, não queremos que a grama do vizinho venha para o nosso jardim. Queremos sim que ela continue lá brilhante, verde, serena, pois do contrário, se estivesse aqui, teríamos que pisá-la.
Depois de pisada (vivida) existe apenas a beleza da realidade, com nuances cruas, mas não por isso, menos belas, apenas mais dificeis de se enxergar.



Ouvindo_Oasis_Wonderwall

terça-feira, 10 de abril de 2012

come, smile and laugh




Então, acontece de repente
e a voz falha...
o coração acelera..
a mão gela

a gente tenta disfarçar
mas o sorriso escapa..
bobo..
entretido
feliz da vida

você se envaidece
põe uma roupa bonita
trata o cabelo
a unha

e até arruma a blusa estranha
que teima em se desajeitar..

as cores somem do rosto
e o simples toque de uma mão na outra
acendem as emoções

ficamos ansiosos
trêmulos
e geralmente tentando
fazer parecer que está tudo bem..

apaixonando-se no outro
platônicamente
abundantemente
respirando sinais que não existem
e tentando entender o que não tem sentido


e como tudo na vida
passa
ou se repete em outros tantos retratos
que nos esquecemos ao longo do tempo..

entre o dito e não dito
nos alegramos e nos entristecemos..
e vivemos..
a beira do abismo



Ouvindo_Buddy Guy_Stay All Night

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O salto alto

Era tudo uma questão de tamanho. Afinal, eu e meus 1,48 de altura sempre adoramos abusar do salto. Coisa de menina, vá entender.
E apesar de saber que aquele bendito sapato usado hoje, não era daqueles para caminhadas de mais de duas quadras, resolvi colocar porque sou chique, sou baixa e sou.....bem
burra.

Estava tudo indo bem até então..
desci do carro elegante, confiante e bonita..trabalhei o dia todo, em cima do sapato me achando a tal, e até arrisquei a caminhada (de menos de duas quadras) até o almoço, porque eu tava "podendo".

Mas aí, veio o a hora de ir embora e minha história começou..




Peguei uma carona até metade do caminho, e enquanto meus pés descansavam soltos no carro, nem sequer me lembrava que eu os tinha. Mas foi ao descer do carona e me despedir, que começei a praguejar.

Nos primeiros 500 metros, eu sorria discreta, andava de cabeça em pé, segurando minha bolsa e me sentindo moderna, claro..um salto alto te dá essas sensações ilusórias..
Mas foi ao ultrapassar os 700 metros que comecei a me perguntar "Porque?, Porque?"..

Tentei parar no ponto de ônibus e esperar dignamente, enquanto havia alguma dignidade em minha alma, mas a demora só fazia meus pés pulsarem no meu sapato, como se gritassem por socorro para que os tirasse dali.

Mais 500 metros - pensei aflita - vai ser melhor que ficar aqui esperando.
E lá se foram mais 500 metros segurando, equilibrando e andando nas calçadas mais irregulares deste país.
Minha unha do dedão parecia que estava travando uma guerra com a minha pele e todos os outros dedos se espremiam dentro do meu sapato para saber o que ia acontecer.

Novo ponto de ônibus, e o trânsito parado. Aguentei cerca de dois minutos esperando.
Minhas pernas agora tremiam.
Era continuar, ou continuar.

Comecei a rezar, pedir ajuda aos anjos, aos santos..implorei por um milagre, uma carona..e até mesmo um vendaval que me levasse voando embora pra casa, ou pra qualquer lugar.
Agora meus pés inchadinhos dentro do sapato, pareciam explodir.

Novo ponto de ônibus. Parei.
Não havia mais sorriso, mais graça e nem elegância em minha persona.
Eu ficava levantando, hora um e hora o outro pra tentar diminuir a dor.
As pessoas me olhavam estranho, talvez se perguntando - "O que diabos essa menina está fazendo?"
Ignorei as pessoas..e lembrei de uma amiga me contando que quando ele coloca sapatos muito apertados, chega uma hora que a dor para..ou seja que o pé adormece.

Imaginei que se eu conseguisse suportar mais um pouco isso ia acontecer.
Quase desmaiei.
Um ônibus chegou, vacilei e não entrei.
Estava cheio demais.

Sambava pé por pé pra aguentar.
O outro veio meia hora depois, ou um ano depois, não me lembro direito pois já estava com a vista embaçada.
Entrei no ônibus e pensei - Vou sentar, eu preciso sentar!

Uma moça ao meu lado me perguntou como eu estava aguentando aquele salto.
Disse a ela, toda sínica: "Ihhh, tô acostumada"

Me senti estúpida diante daquela mentira, mas era o que me restava pra resguardar minha dignidade.
A moça sorriu triste, e foi embora e eu fiquei em pé me agarrando num espaço de 5 cm.
Um homem se ofereceu pra segurar minha bolsa. Tive vontade de dar-lhe meus pés..mas não podia..
Dei a bolsa..

No caminho jurei a mim mesma que assim que descesse do ônibus eu ia arrancar meu sapato, e ir descalsa até em casa.
Quando chegou no ponto, desci, e esperei fingida todos sairem apressados para sua casas. Me abaixei lentamente e arranquei aquele par de filhos da puta do meu pé.
Estava de meia calça mas, era isso ou nada.Arrancar a meia calça no meio da rua também já demais.




Quando meus pés encostaram no chão, quase caí de prazer.
Foi orgásmico.

Comecei a caminhar pela calçada e depois pelo asfalto..sentindo as pedras castigarem a sola do meu pé e da minha meia que a essa altura estava imprestável.
Achei que eu não fosse aguentar.
Bateu o pânico: e se eu fosse abordada, assaltada..sequestrada?

Diante do ódio que se abatia sobre mim, eu acho que era bem capaz de ser eu a enforcar alguém.
Caminhei até em casa, curvada, sem sorriso, com a maquiagem suada, com a meia rasgada.

Na frente do portão, meus pés vacilavam...eu estava descalça e descabelada.
Quando consegui chegar perto de um lugar onde eu pudesse me sentar, joguei os sapatos de lado.
Juro que imaginei eles correndo porta a fora...

Suspirei aliviada, analisei o estado dos meus pé..
relaxei os ombros tensos ...
quando vi os sapatos encostados no canto, pensei..

" Acho que esse sapato combina com a roupa que vou usar semana que vem...acho que vou usar..só que dessa vez..não mais que dois quarteirões"


sexta-feira, 30 de março de 2012

Seu olhar




um sustenta o outro,
na mania de ser diferente
é como a gente
que finge que não viu pra poder notar

é como se eu estampasse na sua cara
aquilo que você nunca dissesse
e como se de repente na fala
tudo se mostrasse tão vulgar

e sem querer dizer
tudo diria
como naquele dia
que a gente brincou de mentirinha
e você não respondeu

como se você fingisse
que não me ouvia
e não final de tudo
bastou você me olhar



Ouvindo_Frank Sinatra_Hello, Young Lovers

domingo, 25 de março de 2012

leia-me




Existem lugares e pessoas onde a minha poesia não alcança..
onde meus chamados não são ouvidos..
onde minhas palavras não tocam

existem esses lugares onde não ecôo
onde minha letra pouca
não faz diferença..

minhas colagens somem
e sou eu e sou tantas outras
e nenhuma delas se faz presente
ou faz diferença..

posso entender essa indiferença
e toda essa descrença
e todo o meu desalinho
que colaboram pra ser assim..

seria um desastre ..
se quem me lesse não gostasse
enfim ..

só espero que minha poesia
tealcance
em algum canto de mim.



Ouvindo_Ella Fitzgerald_Dream a Little Dream of Me

terça-feira, 20 de março de 2012

tem dias..




Tem dias que simplesmente não é fácil acreditar..
acreditar que vai dar certo, que vai rolar, que a gente vai chegar
sabe-se lá onde, sabe-se lá em qual lugar..
tem dias que não é fácil sequer pra acordar..

tem dias..

tem dias em que sorrio feliz da vida
como se algo tivesse me libertado da tristeza
e é como se eu andasse pelas nuvens
de tanta leveza e tanto sorriso que levo pelas ruas

mas existem dias em que me entristeço
me deixo desaparecer na multidão
me apago em cabelos mal arrumados
e roupas rotas

dias em que tudo e todos dizem não..

todo mundo tem esses dias..
você, e eu e aquele montão que finge que tá tudo bem..

tem dias que a gente quer ser só a gente..
e tudo bem!



Mais uma do âmago dos meus poemas tortos e tralálá..



Ouvindo_ O bêbado e a equilibrista_Elis Regina

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Nova série - #Cartas pra ninguém - N°1





É amigo, não tá fácil mesmo. Nesses nossos dias de hoje anda tudo tão desarrumado, que sabe como é, né?! A gente tem que se virar de algum jeito.
Sinto saudades dos nossos tempos de antes, mas pra falar a verdade eu sempre sinto falta do que foi e isso faz parecer que tudo era tão especial naquela época que sempre acho que estou mentindo.

A gente ria das bobagens que a gente falava, bebia meia duzia de latas de cerveja e agia fora como se fossemos donos do mundo. Havia aquele clima de descoberta, sempre por perto. As pessoas com quem a gente se relacionava eram "fodas", como a gente dizia.
Mas elas estavam talvez, tão assustadas como nós, eu acho..

Sabe, sinto falta daquele silêncio que pairava logo que a gente dizia uma verdade absoluta sobre a vida. Aquele silêncio me fazia ver sentido nas coisas. Ou então, quando algo mal acontecia e a gente cavava fundo nos motivos tentando silenciar a dor do outro. Como daquela vez que eu não te disse a verdade sobre meus atos e você fingiu que estava bravo, só pra me proteger do meu julgamento.

Os momentos distantes sempre nos fizeram bem. Era bom saber que você estava vivendo sua vida em algum lugar e que você teria várias coisas pra me contar. Aliás, é bom saber disso ainda.
Não tá fácil ser amigo hoje em dia...

Não há mais momentos silenciosos.
É tanto barulho e tanta azucrinação que parece que as pessoas se esqueceram de como era o silêncio. O silêncio que falava, como você costumava dizer.
Falta tato também...eu mesma me perco toda vez que tento me aprofundar em um relacionamento com alguém..você sabe como é, sempre sobra palavra na minha boca que acaba escorrendo pra onde não deve..
É, eu sei..isso ficou gay..mas e daí? Você vai rir disso de qualquer jeito..

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Tanto faz





Agora tanto faz.
Tanto faz se a mentira, ou se é verdade.
Tanto faz se é sonho, ou realidade..
na boa, tanto faz

Tanto faz se é loiro ou moreno
tanto faz se gosta do corinthians ou do flamengo
pra mim..tanto faz..


ando me multiplicando por aí
nos carnavais dos outros..
em tantos outros cantos
outros encontros
que eu prefiro fingir
que tanto faz..

deixa ir essa preguiça
minha criatividade
as vezes enguiça
e não pega no tranco
só pra me enrolar

tanto faz amigo,
tanto faz..
mas dos meus sonhos
por favor, me deixa em paz..



Ouvindo_Rockapella - Take On Me (A-Ha cover)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Pequeno..

Empresto a música do toque de celular de alguém,
pra embalar a balada de emoções que rola dentro do meu coração..
A cabeça voa, e os sentidos todos se transformam..
Eu olho lá dentro do seu olho e algo me diz que há muito por dizer
pode ser só minha impressão sobre nada, um devaneio ou coisa que valha
pra despertar em nós aquela febril sensação que atrações nos atacam
enquanto pessoas se destacam apenas pelo som da voz..
e de repente tudo faz mais sentido do que antes..
e nada parece o mesmo de ontem..


Ouvindo_Furry Walls_Infant Sorrow