sexta-feira, 1 de junho de 2012

Dessas daí..

Eu queria ser dessas, que não se afligem com nada,
que estão sempre na moda
no salto alto, em pleno asfalto



queria ser dessas que não perdem a linha
que não sabem o que fazer na cozinha
nem o que significa ter roupa pra lavar

queria ser como a moça na foto fingida
tratada com filtro vintage no perfil
que escolhe a boca e se faz de loca
pra parecer normal e febril

e quantas viagens e festinhas
amigos chiques e presilhas
de um cabelo que está sempre no lugar


queria ser dessas discretas,
amáveis e soberanas
que com os homens são verdadeiras tiranas
e que escolhem pelo carro
seu lindo namorado

dessas que andam por aí, soltas e lindas como bem-te-vi
e que parecem nunca se preocupar,
assumo minha inveja mundana, imprópria e banana

mas da minha loucura, desalinho e doidivanas
não abro mão..
não, não









Ouvindo_Here, There and Everywhere_The Beatles

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Nada demais



Não me acho calma,
me acho despreparada, medrosa
por isso me calo,
às vezes me entristeço

não me acho santa,
me acho preconceituosa
mesquinha, febril..

não me acho bela,
me acho boba, infantil
as vezes séria
sagaz,
interrompida

me acho,
enquanto avalio o que de mim não conheço
me acho menos, quando o que mais tenho é
sincero e verdadeiro
me acho sempre,
algo além, nada demais.

Ouvindo_Nada Além_Zeca Baleiro

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Parar

Texto SENSACIONAL do meu querido amigo, meu bro..Ivens Sollohandd
ENJOY! 




Tentei parar por um dia.
Um dia é muito tempo. Há tantas coisas acontecendo. Como irei parar? O mundo irá continuar enquanto eu paro. Depois como irei entrar novamente no ritmo? Em um dia muita coisa pode acontecer. Não posso me dar ao luxo de simplesmente parar. Quem sou eu para isso? Se parar por um dia, com certeza ninguém.

Tentei parar por uma hora.
Uma hora é muito tempo. Há tantas coisas acontecendo. Com irei parar? O mundo será um outro daqui uma hora. O esforço para me concentrar novamente depois é muito grande. Em uma hora muita coisa pode acontecer. Um incêndio. Uma guerra. Uma crise econômica. Milhões de pessoas irão fazer sexo nesta uma hora, e o que ganharão? Nada! Milhões em dinheiro serão gastos e ganhos neste tempo e eu não irei ganhar nenhum centavo se parar! Então, não irei parar!

Tentei parar por um minuto.
Um minuto é pouco tempo. Quase nada acontece em um minuto. O que posso mudar em um minuto. NADA! Então para que irei parar? Para perder um minuto? Estou com tantos minutos sobrando assim para simplesmente me livrar de um sem causa aparente? Se fosse assim pararia por uma hora. Não, não! Pararia por um mês! Bem que estou precisando parar por um mês. Simplesmente não dá!

Em apenas um segundo parei... para sempre. Foi tempo mais do que suficiente para isso.


terça-feira, 8 de maio de 2012

A cena




Ela levantou-se para ir ao banheiro. Olhando aquele cara, que ela sempre olhava todas as vezes que se levantava de sua mesa. Aquele cara que tinha nome e que tinha uma coisa, um sei lá o que diferente que mexia com ela, que a intrigava. Tinha algo interessante que pairava no ar, enquanto ele estava perto, e ela mal conseguia disfarçar seu constrangimento.

E assim que ela se levantou, não quis ver que os olhos dele, corriam de encontro ao dela.Talvez porque ele também havia percebido, talvez porque aquele dia ele estava distraído.
Mas ao caminhar, no primeiro centimetro do seu passo, ela sentiu aquela urgência, um frio na espinha, um quê que só dá em quem endoidece, em cena de filme clichê. Sentiu aquela necessidade de fazer algo, de não sei, de falar com ele, chamar pra um café..uma vontade de tocar-lhe o braço e dizer como ele estava bonito. E sem perceber, seus pés mudaram o caminho, e viravam-se para ele, o tal cara interessante. 

E caminhando até lá, não pensava senão no minuto, na vida, e nas coisas que tinha deixado pra trás, e dos momentos que havia perdido, por ter pensado demais, e caminhando assim, chegou até o cara, que a  essa altura a olhava espantado, um tanto curioso.

Aquilo, não era um ato de sedução, não era um coisa desesperada, muito menos de gente drogada, aquilo foi o momento que se mostrou e que pra ela deixou claro como a vida é boba e como a gente se leva a sério. Sem falar nada, abaixou-se com delicadeza, e beijou-lhe a face, mesmo sem saber porque exatamente estava fazendo aquilo.
Beijou-o demoradamente, e enquanto beijava, sua mão sozinha escorregava pelo rosto dele, que ainda olhava pra ela sem entender nada.

Sentiu nas pontas dos dedos a pele, e o cheiro dele subiu até a ponta do seu nariz.Foi sentindo as nuances de seu rosto pequeno, a fineza da sua sombrancelha e quando menos percebeu sua boca havia encostado na dele suavemente, sem mistérios, sem tramas imaginativas, sem música e sem clarão.

E aí, o olho do cara deixou de olhar espantado, entendeu o singelo recado e agora, participava daquela cena estranha e cheia de vida. 
Era um beijo pra salvar o momento, pra salvar a solidão, pra salvar o desamor, pra salvar as pessoas da masmorra da rotina..


E se era só um beijo cheio de carinho, expectativa, ou até mesmo de tesão por conta da iniciativa, o que ficou ao final foi somente a cena daquele beijo realizado, sacramentado, entendido. 


Foi o que ela pensou enquanto ia ao banheiro, imaginando-se louca por pensar numa coisa dessas, num dia tão frio e tão sem graça..diante de tanta tralha, de tanta coisa pegando traça, ao sair da sua cadeira de balanço enquanto velha e sozinha, espreitava o anoitecer.



Ouvindo_Zeca Baleiro_Felicidade pode ser qualquer coisa

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Não basta




As vezes nada me basta
e a saudade me arranha as entranhas

quando olho saudosista o passado
e ele me engole
e eu me vejo lá..
sendo feliz onde depois eu já não era..

e aí, sinto saudades de mim..
e sinto saudades da minha risada
e do tempo alegre
onde as coisas urgiam
e quando os coração brincavam

sinto saudades do cheiro da rua
ou do travesseiro companheiro da solidão

sinto saudades da liquidez das amizades
e das vezes que eu mais fazia sorrir
do que chorar

de quando ríamos juntos..
e de quando calava minha alma
como se o mundo fosse me fazer parar..

hoje estou saudosa..
da simplicidade da vida..
da poeira dos meus rabiscos
e da falta que eu faço pra mim mesma..

as vezes..
o nada..
não basta



Ouvindo_Eu te amo_Chico Buarque

domingo, 22 de abril de 2012

mudar..





Então, começa a mudança..
você muda aqui, muda acolá.
arrasta coisas que estavam no mesmo lugar havia tempo..
tira pó de livros e revistas, encontra coisas que escreveu sobre si mesma..

vai se perdendo na bagunça..
que faz mais parte de você do que você imagina..

projetos interminados
textos inacabados..
fotos e retratos que guardam um sorriso
que já não existe mais

tudo junto
como numa grande festa natalina
como num reveillon de emoções que acontecem
sem que ninguém perceba

você revê tudo, de uma nova perspectiva
e por mais que negue
sente um tanto de melancolia
por abandonar o lugar onde está

enquanto empacotava meus livros
ia me revendo em cada fase
da minha vida
em cada letra de música
em cada canção cantada
em cada vinil preservado

é como morrer e nascer de novo
é como renascer de algo que não existe
é como o fim pra recomeçar

mudanças me trazem esses sentimento febris
tenho medo
tenho insônia
tenho pavor

as coisas que saem do seu lugar
parecem contar mais coisas
do que aquilo que não foi dito

e assim mudamos...


de endereço, de vida
de esperança..

vivemos...
preservando o impreservável....



Ouvindo_All My Days_Alexi Murdoch


quarta-feira, 18 de abril de 2012

A grama do vizinho


 
Espiã de outros alguéns que não me cabem, sempre acabo me perdendo nas histórias dos outros, em outros contos, intrigas, fadigas. Fato é que, todo mundo uma hora ou outra acha que a grama do vizinho tá mais verde...ou em outras palavras, a gente sempre acha que o outro é de alguma forma muito mais feliz do que a gente.

Bem, eu poderia falar aqui, de relacionamento, profissão, intelecto ou qualquer coisa dessa, que valha, mas prefiro ater-me ao seguinte: "estamos sempre satisfatoriamente insatisfeitos".
Ou seja, estamos sempre olhando por cima do muro, porque além de invejosos, somos também preocupados..
Mas preocupados com o que??






Preocupados com nossa imagem, oras..
Com aquilo que nos torna únicos ou especiais..
Aquilo que nos eleva diante dessa sociedade que anda tão desregrada.

Mas aí, espiamos, e do outro lado vemos as maravilhas de ser o outro.
Imaginamos o mundo de belezas e luxos que eles tem acesso e praguejamos sobre a nossa vida tão sofrida.
O problema é que o feliz perfeito vizinho, do outro lado, faz o mesmo..

Se um é mais rico, o outro reclama que é muito pobre..
se um tem um casamento aparentemente feliz o outro reclama da sua solidão..e por aí vai..

Mas, não acho que seja de todo o mal desejarmos o outro, naquilo que ele tem de melhor.
Afinal, é parte disso que nos move a conquistar nossas coisas, adquirir novos valores, mudar de casa, de emprego e de relacionamento..

Quer dizer, olhando pro outro eu apenas estou vendo aquela versão hollywoodiana de mim mesmo.E até aí, tudo bem! Na verdade, nós só estamos querendo ver como seriamos se estivessemos ali, se tivessemos feito aquelas escolhas..


E voltando a analogia que dá nome a este texto, concluo que, não queremos que a grama do vizinho venha para o nosso jardim. Queremos sim que ela continue lá brilhante, verde, serena, pois do contrário, se estivesse aqui, teríamos que pisá-la.
Depois de pisada (vivida) existe apenas a beleza da realidade, com nuances cruas, mas não por isso, menos belas, apenas mais dificeis de se enxergar.



Ouvindo_Oasis_Wonderwall

terça-feira, 10 de abril de 2012

come, smile and laugh




Então, acontece de repente
e a voz falha...
o coração acelera..
a mão gela

a gente tenta disfarçar
mas o sorriso escapa..
bobo..
entretido
feliz da vida

você se envaidece
põe uma roupa bonita
trata o cabelo
a unha

e até arruma a blusa estranha
que teima em se desajeitar..

as cores somem do rosto
e o simples toque de uma mão na outra
acendem as emoções

ficamos ansiosos
trêmulos
e geralmente tentando
fazer parecer que está tudo bem..

apaixonando-se no outro
platônicamente
abundantemente
respirando sinais que não existem
e tentando entender o que não tem sentido


e como tudo na vida
passa
ou se repete em outros tantos retratos
que nos esquecemos ao longo do tempo..

entre o dito e não dito
nos alegramos e nos entristecemos..
e vivemos..
a beira do abismo



Ouvindo_Buddy Guy_Stay All Night

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O salto alto

Era tudo uma questão de tamanho. Afinal, eu e meus 1,48 de altura sempre adoramos abusar do salto. Coisa de menina, vá entender.
E apesar de saber que aquele bendito sapato usado hoje, não era daqueles para caminhadas de mais de duas quadras, resolvi colocar porque sou chique, sou baixa e sou.....bem
burra.

Estava tudo indo bem até então..
desci do carro elegante, confiante e bonita..trabalhei o dia todo, em cima do sapato me achando a tal, e até arrisquei a caminhada (de menos de duas quadras) até o almoço, porque eu tava "podendo".

Mas aí, veio o a hora de ir embora e minha história começou..




Peguei uma carona até metade do caminho, e enquanto meus pés descansavam soltos no carro, nem sequer me lembrava que eu os tinha. Mas foi ao descer do carona e me despedir, que começei a praguejar.

Nos primeiros 500 metros, eu sorria discreta, andava de cabeça em pé, segurando minha bolsa e me sentindo moderna, claro..um salto alto te dá essas sensações ilusórias..
Mas foi ao ultrapassar os 700 metros que comecei a me perguntar "Porque?, Porque?"..

Tentei parar no ponto de ônibus e esperar dignamente, enquanto havia alguma dignidade em minha alma, mas a demora só fazia meus pés pulsarem no meu sapato, como se gritassem por socorro para que os tirasse dali.

Mais 500 metros - pensei aflita - vai ser melhor que ficar aqui esperando.
E lá se foram mais 500 metros segurando, equilibrando e andando nas calçadas mais irregulares deste país.
Minha unha do dedão parecia que estava travando uma guerra com a minha pele e todos os outros dedos se espremiam dentro do meu sapato para saber o que ia acontecer.

Novo ponto de ônibus, e o trânsito parado. Aguentei cerca de dois minutos esperando.
Minhas pernas agora tremiam.
Era continuar, ou continuar.

Comecei a rezar, pedir ajuda aos anjos, aos santos..implorei por um milagre, uma carona..e até mesmo um vendaval que me levasse voando embora pra casa, ou pra qualquer lugar.
Agora meus pés inchadinhos dentro do sapato, pareciam explodir.

Novo ponto de ônibus. Parei.
Não havia mais sorriso, mais graça e nem elegância em minha persona.
Eu ficava levantando, hora um e hora o outro pra tentar diminuir a dor.
As pessoas me olhavam estranho, talvez se perguntando - "O que diabos essa menina está fazendo?"
Ignorei as pessoas..e lembrei de uma amiga me contando que quando ele coloca sapatos muito apertados, chega uma hora que a dor para..ou seja que o pé adormece.

Imaginei que se eu conseguisse suportar mais um pouco isso ia acontecer.
Quase desmaiei.
Um ônibus chegou, vacilei e não entrei.
Estava cheio demais.

Sambava pé por pé pra aguentar.
O outro veio meia hora depois, ou um ano depois, não me lembro direito pois já estava com a vista embaçada.
Entrei no ônibus e pensei - Vou sentar, eu preciso sentar!

Uma moça ao meu lado me perguntou como eu estava aguentando aquele salto.
Disse a ela, toda sínica: "Ihhh, tô acostumada"

Me senti estúpida diante daquela mentira, mas era o que me restava pra resguardar minha dignidade.
A moça sorriu triste, e foi embora e eu fiquei em pé me agarrando num espaço de 5 cm.
Um homem se ofereceu pra segurar minha bolsa. Tive vontade de dar-lhe meus pés..mas não podia..
Dei a bolsa..

No caminho jurei a mim mesma que assim que descesse do ônibus eu ia arrancar meu sapato, e ir descalsa até em casa.
Quando chegou no ponto, desci, e esperei fingida todos sairem apressados para sua casas. Me abaixei lentamente e arranquei aquele par de filhos da puta do meu pé.
Estava de meia calça mas, era isso ou nada.Arrancar a meia calça no meio da rua também já demais.




Quando meus pés encostaram no chão, quase caí de prazer.
Foi orgásmico.

Comecei a caminhar pela calçada e depois pelo asfalto..sentindo as pedras castigarem a sola do meu pé e da minha meia que a essa altura estava imprestável.
Achei que eu não fosse aguentar.
Bateu o pânico: e se eu fosse abordada, assaltada..sequestrada?

Diante do ódio que se abatia sobre mim, eu acho que era bem capaz de ser eu a enforcar alguém.
Caminhei até em casa, curvada, sem sorriso, com a maquiagem suada, com a meia rasgada.

Na frente do portão, meus pés vacilavam...eu estava descalça e descabelada.
Quando consegui chegar perto de um lugar onde eu pudesse me sentar, joguei os sapatos de lado.
Juro que imaginei eles correndo porta a fora...

Suspirei aliviada, analisei o estado dos meus pé..
relaxei os ombros tensos ...
quando vi os sapatos encostados no canto, pensei..

" Acho que esse sapato combina com a roupa que vou usar semana que vem...acho que vou usar..só que dessa vez..não mais que dois quarteirões"


sexta-feira, 30 de março de 2012

Seu olhar




um sustenta o outro,
na mania de ser diferente
é como a gente
que finge que não viu pra poder notar

é como se eu estampasse na sua cara
aquilo que você nunca dissesse
e como se de repente na fala
tudo se mostrasse tão vulgar

e sem querer dizer
tudo diria
como naquele dia
que a gente brincou de mentirinha
e você não respondeu

como se você fingisse
que não me ouvia
e não final de tudo
bastou você me olhar



Ouvindo_Frank Sinatra_Hello, Young Lovers

domingo, 25 de março de 2012

leia-me




Existem lugares e pessoas onde a minha poesia não alcança..
onde meus chamados não são ouvidos..
onde minhas palavras não tocam

existem esses lugares onde não ecôo
onde minha letra pouca
não faz diferença..

minhas colagens somem
e sou eu e sou tantas outras
e nenhuma delas se faz presente
ou faz diferença..

posso entender essa indiferença
e toda essa descrença
e todo o meu desalinho
que colaboram pra ser assim..

seria um desastre ..
se quem me lesse não gostasse
enfim ..

só espero que minha poesia
tealcance
em algum canto de mim.



Ouvindo_Ella Fitzgerald_Dream a Little Dream of Me

terça-feira, 20 de março de 2012

tem dias..




Tem dias que simplesmente não é fácil acreditar..
acreditar que vai dar certo, que vai rolar, que a gente vai chegar
sabe-se lá onde, sabe-se lá em qual lugar..
tem dias que não é fácil sequer pra acordar..

tem dias..

tem dias em que sorrio feliz da vida
como se algo tivesse me libertado da tristeza
e é como se eu andasse pelas nuvens
de tanta leveza e tanto sorriso que levo pelas ruas

mas existem dias em que me entristeço
me deixo desaparecer na multidão
me apago em cabelos mal arrumados
e roupas rotas

dias em que tudo e todos dizem não..

todo mundo tem esses dias..
você, e eu e aquele montão que finge que tá tudo bem..

tem dias que a gente quer ser só a gente..
e tudo bem!



Mais uma do âmago dos meus poemas tortos e tralálá..



Ouvindo_ O bêbado e a equilibrista_Elis Regina

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Nova série - #Cartas pra ninguém - N°1





É amigo, não tá fácil mesmo. Nesses nossos dias de hoje anda tudo tão desarrumado, que sabe como é, né?! A gente tem que se virar de algum jeito.
Sinto saudades dos nossos tempos de antes, mas pra falar a verdade eu sempre sinto falta do que foi e isso faz parecer que tudo era tão especial naquela época que sempre acho que estou mentindo.

A gente ria das bobagens que a gente falava, bebia meia duzia de latas de cerveja e agia fora como se fossemos donos do mundo. Havia aquele clima de descoberta, sempre por perto. As pessoas com quem a gente se relacionava eram "fodas", como a gente dizia.
Mas elas estavam talvez, tão assustadas como nós, eu acho..

Sabe, sinto falta daquele silêncio que pairava logo que a gente dizia uma verdade absoluta sobre a vida. Aquele silêncio me fazia ver sentido nas coisas. Ou então, quando algo mal acontecia e a gente cavava fundo nos motivos tentando silenciar a dor do outro. Como daquela vez que eu não te disse a verdade sobre meus atos e você fingiu que estava bravo, só pra me proteger do meu julgamento.

Os momentos distantes sempre nos fizeram bem. Era bom saber que você estava vivendo sua vida em algum lugar e que você teria várias coisas pra me contar. Aliás, é bom saber disso ainda.
Não tá fácil ser amigo hoje em dia...

Não há mais momentos silenciosos.
É tanto barulho e tanta azucrinação que parece que as pessoas se esqueceram de como era o silêncio. O silêncio que falava, como você costumava dizer.
Falta tato também...eu mesma me perco toda vez que tento me aprofundar em um relacionamento com alguém..você sabe como é, sempre sobra palavra na minha boca que acaba escorrendo pra onde não deve..
É, eu sei..isso ficou gay..mas e daí? Você vai rir disso de qualquer jeito..

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Tanto faz





Agora tanto faz.
Tanto faz se a mentira, ou se é verdade.
Tanto faz se é sonho, ou realidade..
na boa, tanto faz

Tanto faz se é loiro ou moreno
tanto faz se gosta do corinthians ou do flamengo
pra mim..tanto faz..


ando me multiplicando por aí
nos carnavais dos outros..
em tantos outros cantos
outros encontros
que eu prefiro fingir
que tanto faz..

deixa ir essa preguiça
minha criatividade
as vezes enguiça
e não pega no tranco
só pra me enrolar

tanto faz amigo,
tanto faz..
mas dos meus sonhos
por favor, me deixa em paz..



Ouvindo_Rockapella - Take On Me (A-Ha cover)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Pequeno..

Empresto a música do toque de celular de alguém,
pra embalar a balada de emoções que rola dentro do meu coração..
A cabeça voa, e os sentidos todos se transformam..
Eu olho lá dentro do seu olho e algo me diz que há muito por dizer
pode ser só minha impressão sobre nada, um devaneio ou coisa que valha
pra despertar em nós aquela febril sensação que atrações nos atacam
enquanto pessoas se destacam apenas pelo som da voz..
e de repente tudo faz mais sentido do que antes..
e nada parece o mesmo de ontem..


Ouvindo_Furry Walls_Infant Sorrow

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O medo



 


Anda por aí, as soltas, um vírus muito conhecido da nossa humanidade. O medo.
Ele, de tanta experiência em viver nessa sociedade torta que sempre foi a nossa, gosta agora de se disfarçar de diversas coisas, pra não aparecer muito.
E não, eu não estou falando de comédias de terror.
Estou falando do medo das pessoas em admitirem, pra elas mesmas suas verdades. Medo esse que contagia e contamina até o mais confiante dos executivos da Faria Lima, e mina as esperanças de um mundo melhor.
No assunto relacionamento então ele vive cercado de atenções, esse tal de medo.
Sempre com alguma desculpa de auto proteção, ou então fingindo que não está nem aí, ele se camufla de uma coisa, e pra piorar ainda acaba parecendo outra.
Ledo engano, esse de acharmos que ninguém está notando que é medo. E a função dele é sempre nos impulsionar e não nos travar. Me impressiona o número de amigos com um medo gigante de serem felizes. Ou melhor, estão tão acostumados com a derrota, que no menor sinal de que algo pode dar certo, fogem de medo.
Esse mesmo, que anda por aí contaminando as pessoas.
Medo do emprego novo, medo do novo amor, medo de assumir pra si mesmo que está perdendo o chão, medo de admitir que está se sentindo triste, medo..medo..medo.
Um pouco mais de coragem, por favor.
Vamos elevar nossos olhos para o que nos espera e abraçar nossa felicidade momentânea, sendo menos mesquinho, menos esquivo, menos blasé.
Anda tudo tão estranho que as pessoas agora deram com a mania de quererem parecer sempre alegre, felizes, saltitantes. Uma necessidade imensa de parecer que tá tudo bem, quando dentro tudo rui, e na infelizmente na maioria das vezes, o assunto é sério.

Um toma uma bota sem mais nem porque, e diz que não tá nem aí, outra fica se achando estranha em colocar as cartas na mesa com o cara que ela diz que ama pra ficar tudo bem, alguns ainda se orgulham do fato de não demonstrarem nunca quando estão numa bad.

Onde foram parar os sentimentos?? Que vaidade tão grande é essa que agora estamos assim, com esses sorrisos plásticos e enfiando a cara no travesseiro pra sufocar o choro??

Agora o negócio é ficar sempre numa boa? Pra não pegar mal??

Medo demais, como tudo na vida não ajuda. Só atrapalha.
E precisamos sim, dos outros para sermos felizes. E não há nada de errado sentir medo, só não vale se for medo de sentir amado.

domingo, 29 de janeiro de 2012

O Apanhador de Lenços (ou minha versão do amor)




Muitas pessoas buscam o amor. O amor impossível, o amor inatingível, o amor ideal, o amor surpreendente. Buscam alguém para chamar de seu ou para abraçar durante noites frias e assistir a filmes juntos romanticamente num sábado a noite.
Isso é o que as pessoas definem geralmente por ter um amor.

Mas o amor, tem dessas coisas de querer ser diferente.
E enquanto eu lia a minha revista no banheiro, notei que pela milésima vez tinha esquecido meus lenços umedecidos no outro banheiro de casa, e gritei carinhosamente para o meu marido: “Amor, me faz um favor? Pega meu lenço lá em baixo pra mim?”

Em menos de um minuto depois, estava ele lá a esticar seu braço me entregando o objeto.
E eu fiquei aqui pensando, que o amor tá nessas coisas pequenas e poucas, de quando a gente pede um favor pra pessoa que a gente ama, e ela simplesmente o faz.
Pode ser o lenço umedecido, um copo d’água, aquele livro que estava na estante longe do alcance das mãos, ou a almofada no outro sofá.
O amor está nessas coisas, diárias e cotidianas que a gente nem nota, e que não tem nada de romântico clichê como a clássica cena do casal, com pipoca e coberta na sala de TV, nem tão empolgante como o jantar pomposo no restaurante da moda. O amor está exatamente no momento em que nossos pedidos banais são atendidos por quem a gente ama.

Na tranqüilidade da sua sala de tv, no seu quarto ou até mesmo no sagrado momento do banheiro, não há nada como ter alguém pra atender quando a gente chama.

Antes de procurar esse amor louco e impossível que tentam nos vender por aí, agradeça se tiver alguém pra lhe trazer um par de meias, ou que trouxe aquele copo de água na monotonia da madrugada, só porque você pediu.


Ouvindo_Beale Street Blues_Eartha Kitt

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Hope





Sempre há esperança. Sempre há.
Um fé no futuro, uma coisa que se alcança, um sorriso de criança, alguém pra nos embalar.
Esperança, esperança, sempre há.

Há também uma tristeza, quase delicada, indefesa
que de vez em quando chega a se aproximar.
Vai quietinha, retilinia,
em algum ponto nos mostrar,
um tanto de lágrima e
outro tanto de dor,
algo tanto
que nossa alma possa aguentar.

Há ainda, mais fundo onde o mar que não se finda, algo ali, que insiste em me espreitar.
Um quê curioso e não sei se tão moço, ou se de tanto desgosto é que eu passo a acreditar.

Mas localizado entre a tristeza e a esperança,
no meio, uma fina lembrança,
está o amor,
a esperar.


Ouvindo_Waste Away_Spock's Beard

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Simples - cidade




Eu estava esperando por aquele momento, sabe?
Aquele momento mágico, como nos filmes, em que acontece algo grande e aí eu iria entender tudo.
Esperando que iria acontecer algo que mudaria minha vida para sempre, como um beijo inesperado, uma carta do nada, ou quem sabe uma cigana que me contaria todos os segredos e aí, enfim, eu saberia.

Esperei por algum tempo, procurei em alguns buracos e em outros tantos livros, me enchi de falsas esperanças e olhava apavorada na janela pra ver se alguma coisa acontecia e... nada.
Nada de novo, tudo como sempre, pensava eu desatinada.

Mas um dia, enquanto eu olhava pro passado, pensei: "Uau, quanta coisa mudou!!!"
E aí mudou quando? Como? Quanto?
Como aconteceram todas essas coisas e aonde estava eu que não percebi tudo mudar daquele jeito?

Bem, eu estava lá, talvez imaginando na janela ou tentando ler nas entrelinhas algo que nunca fora escrito.
E enquanto isso as coisas mudavam.
Não assim, como nos filmes nem como a minha leviana imaginação pintava.
As coisas iam mudando gradativamente, devagarinho, em gestos simples, em coisas pequenas e em palavras que eu já nem sabia que havia dito e escrito.

E enquanto tudo isso acontecia, eu esperava o futuro brilhante em algum lugar secreto.
Eu tentava espiar os dias seguintes, antevendo o grande momento da mudança, onde a música iria tocar mais alto e eu realmente ia ser feliz. E como um sopro silencioso ao meu redor, as coisas iam mudando.

Como um embrião de bebê, como semente, como tudo na natureza, as mudanças maravilhosas só acontecem devagar, pra que você vá se adaptando, vá se mudando e se moldando aquela nova verdade..
Milagres diários que acontecem sem que ninguém perceba, enquanto ninguém olha, sem platéia nem tv, nem a moça bonita da propaganda a ventilar os cabelos contra o vento.

Tudo acontece sem que ninguém perceba.
E de repente, eu estava lá, ausente e presente ao mesmo tempo, olhando o tempo passar enquanto tudo se transformava ao redor.

E então eu soube.
Soube que nunca iria saber tudo, e que isso pouco importava.
Soube que lá dentro de mim, uma menina ainda sonhava cintilante com seu grande momento esperado, mas que de fato ele acontecera tantas vezes e de maneiras tão diferentes que nem mesmo o melhor diretor de cinema poderia ilustrar.
Soube que quanto mais a gente vive, mas tem a sensação de que precisa viver e aprender e que a gente deixa o tempo passar, só pra poder contá-lo nos dedos.

Soube enfim, que minha pobre memória é que me falha as vezes, nessa de se esquecer do que vivi, quase sempre acho que não tenho muito o que contar.
E agora ao invés de ficar ali, esperando o futuro chegar, vou pra rua vivê-lo, e ter tantos outros momentos pra contá-lo.

Pois silenciosamente, tudo está mudando.
Basta ajustar o olhar.




Ouvindo_Strings_Young The Giant Young The Giant.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Desinteresabafo..



Eu vejo as pessoas falando, sentindo, tocando, reclamando e pedindo..
Vejo todo mundo as pressas em contar o que está acontecendo, como se fosse extremamente necessário manter todo mundo avisado sobre a urgência das coisas que lhes acontecem.
E é triste perceber que quanto mais falamos, menos nos importamos de fato.

Fulano viajou, ciclano está no trânsito e beltrano foi dormir tarde ontem..

Nada disso altera em nada a minha vida e a sua, mas estamos lá, querendo contar pra alguém o que diabos estamos fazendo com a insignificancia das nossas vidas, tentando sempre parecer o que não somos, escrevendo coisas que talvez nem sentimos, para que? Para quem?

E vai ficando pior a cada dia, as coisas importantes se misturando com as desimportantes, tudo no escândalo, na desinformação, na cultura da polêmica, tudo pra parecer diferente, inteligente, carente, deliquente..

E nessa de chamarmos tanta atenção pra nós mesmos, esquecemos do que somos na verdade.
Esquecemos que no lugar de letras e caracteres que fingem demonstrar nossas vontades, estão as pessoas.
E elas sim, estão em conflito diário com elas mesmas...

Percebo como o mundo mudou e como minhas relações tem se enfraquecido em alguns aspectos..
As novidades que antes demoravam pra chegar, agora estão lá a qualquer momento para quem quiser ver e ouvir, nada mais é autêntico ou surpreendente por muito tempo..

Replicamos inúmeras vezes frases e fotos legais que talvez digam de alguma forma o que pensamos, sabe se lá pra que..

E as amizades..bem..
Estão em algum lugar lá..antes ou depois de milhares de coisas desimportantes, fazendo seu papel.
Até porque meus amigos não precisam saber o que faço ou o que penso a todo instante.
Eles me conhecem num nível maior de intimidade, sabem que meu olhar as vezes diz mais do que mil palavras. Que basta um telefonema ou um oi meio torto pra significar mais coisas de que todos os textos que eu escrever..

Mas essas coisas tem se perdido por aí..
A internet encurtando distâncias e diminuindo amizades..
Até porque, assumo, não sou boa em administrar tantas pessoas na minha timeline a ponto de poder chamá-las de amigas..

Mas elas estão lá..e eu estou lá também, fazendo minha parte pra colaborar com isso que eu tanto detesto..
e estou lá porque eu também não sei a saída..mas existe em mim, essa vontade que grita, de que só um dia, ou uma semana a gente pudesse ficar sem internet, telefone e tv pra poder se lembrar de como a vida era sem isso tudo..

E de como as pessoas que se importam, estão as vezes na distância de um abraço..





Ouvindo_Boyce Avenue_Viva La Vida (Coldplay Cover)